MS e a possível falta de medicamentos

Para exemplificar melhor, um medicamento como a Losartana Potássica teria o valor baixado em 60%, caindo de 0,30 centavos o comprimido, para 0,12 centavos

Desde o ano passado quando começaram as negociações entre o Ministério da Saúde e o setor varejista de farmácias, o Programa Farmácia Popular tem sofrido a iminência de acabar. Isso porque, o governo impôs uma proposta de diminuição de cerca de 35% dos repasses em cima do valor de alguns medicamentos. O que poderia inviabilizar os estabelecimentos credenciados a se manter no programa. 

De acordo com o Ministério da Saúde o valor da redução seria heterogêneo variando de acordo com o tipo de medicamento. O que certamente forçaria uma série de farmácias de pequeno porte a se desvinculares do programa, por conta justamente deste reajuste de repasse, considerado muito baixo. Para exemplificar melhor, um medicamento como a Losartana Potássica teria o valor baixado em 60%, caindo de 0,30 centavos o comprimido, para 0,12 centavos.

Outra situação que pode ser gerada com a redução do repasse seria a busca dos varejistas do ramo farmacêutico por laboratórios com preços mais baratos.  O que seria negativo no sentido de estabelecer uma relação comercial entre os setores gerando quem sabe, até alta dos valores hoje praticados pela indústria.

Recentemente a Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (AbcFarma) se pronunciou dizendo que se a queda de valores realmente acontecer será inviável manter o projeto. O que para mim, profissional da área farmacêutica, prestadora de serviços tanto da rede privada, quanto na rede pública de saúde acho um absurdo. É uma perda enorme para comunidade que pode ficar desassistida em mais este aspecto. Levando-se em conta que existem medicamentos que são essenciais para manutenção da vida humana, como nos casos dos doentes crônicos, por exemplo. 

É importante ressaltar que o Programa Farmácia Popular atende hoje 5.600 cidades brasileiras e oferece 42 produtos, sendo 26 gratuitos. Isso sem falar, nos preços acessíveis com até 90% de descontos. Ou seja, um projeto que traz acessibilidade de medicação a uma grande parcela da população do nosso país. Enquanto a negociação segue entre governo e varejo farmacêuticos, nós ficamos na torcida para que mais uma vez, a principal prejudicada não continue sendo a população.

Dra. Marttha Franco Ramos, farmacêutica

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