Vencedoras: “Não fui preparada”, diz mulher destaque do agronegócio em Araguaína

A empresária e farmacêutica é a primeira personagem da série Vencedoras, realizada em homenagem ao Dia da Mulher, próximo dia 8 de março

Caçula entre duas mulheres e um homem, Thaize Helena Enéias não foi a escolhida para herdar o conhecimento agropecuário do pai, no entanto foi ela que abraçou o negócio após o falecimento precoce de Benedito, aos 60 anos. “Eu não fui preparada, nem para dizer sim ou não”, afirmou. Até 2010, o gosto pela terra era da lembrança infantil e hoje ela já conquistou capacidade para levar o prêmio local do Programa de Eficiência de Carcaça (PEC) de 2019.
 
Primeira personagem da série Vencedoras, realizada em homenagem ao Dia da Mulher, próximo dia 8 de março, Thaize é natural de Paracatu, em Minas Gerais, onde nasceu em 10 de agosto de 1978. Na infância, acompanhou o pai que comprava e vendia fazendas para reinvestir em propriedades melhores, em várias cidades, até parar em Janaúba, também no estado mineiro, onde ficou com mãe após a separação dos pais. O pai então veio para Araguaína, onde ela passava as férias.
 
Atrás dos passos do pai
“Ele era um desbravador e o campo aqui estava melhor para abrir a terra. Foi quando começou o Estado e viu uma oportunidade”, explicou sobre o pai vim para o Tocantins. Formada em farmácia e atuante na área até hoje, Thaize também enxergou o desenvolvimento quando tomou o mesmo rumo do pai. Aos 31 anos, junto ao marido Jairo Cordeiro e dois filhos, Benedito e Heitor, com então com 1 e 5 anos, se mudou para encarar o que viria ser sua paixão: o agronegócio.
 
O começo
Logo que chegou, há 10 anos, o primeiro passo foi pesquisar na internet, mas era muita informação e ela precisava de uma direção. As coisas só comeram a mudar quando conheceu outras empresárias do ramo e foi convidada para o grupo Mulheres do Agronegócio Tocantinense (MAT), em 2016, ano que também iniciou o curso técnico em agronegócio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
 
A descoberta
Thaize teve alguns prejuízos, porque segundo ela, não se pode ser amador no agronegócio. “Até receber o prêmio do PEC, em 2019, eu não tinha muita certeza que estava fazendo certo. Mas eu via que nos abates, outros pecuaristas sempre reclamavam da quebra no lucro e comigo era sempre melhor que a expectativa, até achei que minha balança estava quebrada”, disse a empresária sobre a conquista da segurança. Seu gado foi o melhor entre os 45 abatidos no Minerva Foods, em acabamento, milímetros de gordura, PH da carne e precocidade.
 
União feminina
Mais do que a união para troca de experiências entre as mulheres, o MAT também tem uma importância política, cultural e educacional dentro do agronegócio araguainense.
 
“Nós estamos conquistando espaço. Eu noto alguns olhares de desconfiança sim, mas eu me imponho e mostro que sei do que estou falando, principalmente na negociação do gado”, destacou a homenageada. Além das reuniões locais, um grande é evento em São Paulo todos os anos junto aos outros grupos, somando duas mil mulheres em 2019.

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