Secretário Edgar Tolini pede respeito com o TO após ataque de Henrique Prata

Secretário Tolini lembrou que não responde a nenhum processo sequer administrativo e lembrou da recente decisão do MS que determinou ao Hospital de Amor a devolução de R$ 15 milhões

O secretário da Saúde do Tocantins Edgar Tolini se defendeu das acusações contra o sistema e os profissionais da saúde do Tocantins feitas pelo empresário Henrique Prata, presidente da Fundação Pio XII, que gerencia o Hospital de Amor e está construindo desde 2017 uma unidade no Tocantins ao custo de R$ 120 milhões, que disse que a saúde tocantinense é de “quinta categoria” entre outros impropérios, como, aliás, é comum por parte do empresário sempre que tem seus interesses contrariados. (continua abaixo)

Os ataques vieram após Prata tomar conhecimento de que o acelerador linear, equipamento avaliado em R$ 16 milhões e utilizado para a realização de radioterapia, doado pelo Ministério da Saúde para o Tocantins, seria destinado para o Hospital Geral de Palmas e não para o Hospital de Amor, como foi pleiteado desde 2016 por Prata, inicialmente apoiado por deputados federais tocantinenses e posteriormente por governadores e secretários da saúde que se sucederam.

Tolini explicou que, ao contrário das acusações de Prata, de que havia agido por suas costas e quebrado o acordo de destinar o equipamento para o Hospital de Amor, foi o Ministério da Saúde quem deu o ultimato para o Tocantins em novembro de 2019: “Ou reabilitávamos o serviço de radioterapia no HGP para receber o equipamento ou o perderíamos, uma vez que foi solicitada em 2017 a nossa exclusão do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS em benefício do Hospital de Amor, mas acabou não sendo habilitado pelo Ministério da Saúde”, disse o secretário, que forneceu aos deputados uma documentação completa com ofícios e documentos que comprovam tudo o que disse, inclusive do Ministério da Saúde.

“O Governador Mauro Carlesse pediu para o Ministério da Saúde que o acelerador linear fosse destinado para o Hospital de Amor, como podemos comprovar através de ofício enviado ao órgão federal. Nunca houve por parte do governador Mauro Carlesse, do Governo do Tocantins ou da Secretaria da Saúde e seus profissionais, qualquer pedido para que o equipamento fosse remanejado para o HGP. O que houve foi uma ação da nossa parte para não perder esse equipamento quando o Ministério informou que não o instalaria no Hospital de Amor, mesmo após todos os esforços. Então ou aceitávamos, ou não haveria mais o equipamento disponível para Palmas. Não fui eu que neguei a sessão de direito de uso. Eu não tenho esse poder”, ressaltou Tolini.

Respeito

O secretário disse que antes de mais nada o presidente da Fundação Pio XII precisa ter respeito pelos servidores da saúde tocantinense, com as autoridades e com a população, que tem um serviço de qualidade sendo prestado em todo o estado, destacando a instalação do equipamento de radioterapia em Araguaína recentemente e a parceria com diversas clínicas particulares que trabalham com a tabela do Sistema Único de Saúde, sem receber qualquer repasse a mais do Governo do Estado.

“Antes de tudo, nosso compromisso é em prestar um serviço digno para população tocantinense, como estamos fazendo zerando as filas de cirurgias eletivas e de emergência das mais variadas especialidades. O dinheiro utilizado para pagar as clínicas e hospitais vem do governo federal, pois o estado não tem dinheiro para pagar por tratamentos experimentais. Se o Hospital do Amor quiser captar dinheiro da iniciativa privada, ótimo. De outra forma não há como pagar pelo valor do tratamento oferecido ali”, disse o secretário, referindo-se ao fato de o Hospital de Amor ter valores de tratamentos mais altos, fazendo com que o repasse do SUS cubra apenas 40% das suas despesas. O restante do dinheiro para manutenção do tratamento contra o câncer no hospital costuma chegar através de doações e emendas parlamentares.

Contra-ataque

Tolini se defendeu a si e aos colegas das acusações e insinuações maldosas de Henque Prata e partiu para o contra-ataque, afirmando que “Não sou dono de serviço de oncologia. Não presto serviço ao Estado. Assumi a secretaria a convite do Governador Mauro Carlesse e a cadeira é dele. Enquanto ele precisar de mim eu sirvo ao Estado da melhor forma que eu posso. Não respondo a nenhum processo. Eu não tenho nenhuma condenação em 17 anos de vida pública, nem mesmo na área administrativa, como a portaria do dia 29 de abril do Ministério da Saúde que determinou que a Fundação Pio XII devolva R$ 15 milhões por prestação de contas indevida. Eu não posso admitir que meus colegas sejam chamados de ‘serviço de quinta categoria’”.

Nossa reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do Hospital de Amor, mas até agora não obteve resposta. O espaço continua aberto.

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