Justiça determina que mãe de Palmas entregue filhos para ex-marido americano

Gleyciane está há um ano no Brasil com os filhos, mas agora pode ser obrigada a entregá-los ao marido, que vive no Brasil

Gleyciane da Fonseca Sampaio, que mora em Palmas-TO, está apavorada com a possibilidade de que seus filhos, uma menina de 10 anos e um menino de apenas quatro, sejam tirados dela e entregues ao seu ex-marido que vive nos Estados Unidos, devido a uma determinação da Justiça brasileira do último dia 23.

O responsável pela decisão é o juiz federal Eduardo de Melo Gama, da 1ª Vara do Tribunal Regional Federal da Primeira Região. Mas Gleyciane está inconformada, pois segundo ela o juiz ignorou uma decisão da justiça norte americana que em janeiro deste ano deu a guarda primária dos filhos para ela.

“Na primeira audiência eu não estava presente e a justiça americana deu a guarda para meu ex-marido, mas em janeiro desse ano eu fui ouvida por telefone pela juíza do caso, que me devolveu a guarda primária dos meus filhos. Eu anexei a nova decisão no processo, mas o juiz do caso ignorou e considerou apenas a decisão anterior”, afirma Gleyciane.

Na decisão da Justiça americana a juíza Trish Corbett determinou a guarda compartilhada dos filhos, com a guarda primária para Gleyciane, o que significa que ele poderia continuar vendo os filhos em horários pré-estabelecidos, além de poder falar com as crianças por chamadas telefônicas ou de vídeo, até que Gleyciane entrasse com uma petição para mudança de endereço.

Vida nos EUA

O pai das crianças é Moisés de Sousa Sampaio, nascido no Brasil, mas que também tem a cidadania americana e com quem Gleyciane foi casada por 11 anos, sendo os três últimos na pequena cidade de Clark Summit, no estado da Pensilvânia, interior Estados Unidos da América para onde eles imigraram legalmente em 2016 em busca de uma vida melhor. Gleyciane deixou para trás amigos, família e a sua carreira de psicóloga.

Ela conta que durante todo esse tempo morou no porão da casa dos pais do marido junto com os filhos, até que decidiu voltar para o Brasil e depois se separar. Porém, Moisés não teria aceitado o fim do relacionamento e agora estaria tentando usar os filhos como barganha para fazê-la retornar aos Estados Unidos e reatar o casamento, que segundo ela era abusivo.

“Era uma relação muito abusiva, psicológica e fisicamente. Ele controlava todos os meus passos. Eu não tinha liberdade para nada. Ele olhava o meu celular, as minhas redes sociais, controlava os lugares que eu ia através da localização do meu celular, e depois acabou evoluindo para a violência física”, conta ela, que acusa o marido de tê-la tentado sufocar após uma discussão.

Respostas

Nossa reportagem entrou em contato com o pai das crianças Moisés de Sousa Sampaio, que se pronunciou através dos seus advogados, que afirmaram que não iriam comentar o processo, que corre em segredo de justiça, mas que seu cliente os autorizou a "informar às redes jornalísticas que sempre age na mais estrita legalidade, externando seu profundo amor e saudades de seus filhos, pautando pelo bem estar e melhor interesse destes".

Também entramos em contato com a assessoria de comunicação do TRF-1 para tentar uma entrevista com o juiz federal Eduardo de Melo Gama, mas até a publicação desta matéria não obtivemos resposta.

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