O empreendedorismo na terceira idade, tem se tornado cada vez mais comum em todo mundo. À medida que a que a expectativa de vida aumenta e as pessoas continuam ativas e saudáveis, muitos optam por iniciar seus próprios negócios. Podemos destacar aqui várias razões pelas quais os idosos escolhem empreender, como realização pessoal, conhecimento e experiencia, contribuição para sociedade e falta de oportunidade de um emprego formal.
Essa economia é conhecida como Silver Economy ou Economia Prateada. É definida pela União Europeia como parte da economia que é relevante para as necessidades e demandas dos idosos. Para a Oxford Economics, a Silver Economy é a soma de todas as atividades econômicas associadas às pessoas com mais de 50 anos.
Estimativas mostram que a economia prateada movimenta cerca de 15 trilhões de dólares por ano e que até 2030 a expectativa de que haja 1 bilhão de idosos no planeta. No Brasil, a movimentação chega a 2 trilhões de reais e segundo pesquisas realizada pelo Sebrae, 49% dos 53 milhões de empreendedores do país têm mais de 50 anos.
Como pode se ver, a economia prateada é um grande mercado potencial no Brasil, oferecendo muitas oportunidades para quem decide explorar. Além do crescimento da população com mais de 50 anos, vale destacar o aumento do poder aquisitivo desse grupo de pessoas. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), as pessoas com mais de 65 anos representam 17% dos 5% mais ricos do Brasil. Essa situação financeira é complementada por uma mudança nas prioridades de consumo da população madura. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) constatou que 41% dos idosos gastam mais em produtos de primeira necessidade do que em necessidades básicas, enquanto 66% dizem que aproveitar a vida é sua principal prioridade. Assim, considerando que 52% dos idosos não são fiéis a nenhuma marca, as lojas com foco nesse público podem ter uma vantagem competitiva significativa nos próximos anos.
No empreendedorismo da terceira também existem desafios como a adaptação a novas tecnologias, competição com jovens empreendedores e a disponibilidade de fundos, que podem criar obstáculos. Além disso, as demandas físicas e mentais associadas ao empreendedorismo podem ser mais desafiadoras para os adultos mais velhos.
Por representar mais de 30% dos consumidores, podemos dizer que a economia prateada em breve deixará de ser tratada como um nicho de mercado e que todos terão que se adaptar e se especializar nesse mercado.
Bruno Vieira é Professor, pós-graduado em Gestão do Desenvolvimento Humano nas Organizações, Gerente da Unidade de Atendimento e Relacionamento do Sebrae Tocantins e Vice-Presidente da Região Norte da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais – CONAMPE
