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Semana Nacional de Museus começa no Rio com extensa programação

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A 20ª Semana Nacional de Museus começou hoje (16), no Rio de Janeiro, com o lançamento, em formato digital, dos Anais do 2º Seminário Museu e Educação, realizado pelo Museu Histórico Nacional (MHN), em novembro do ano passado. O ponto alto do evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), será a abertura, nesta quarta-feira (18), da exposição Rio-1922, que apresenta a cidade de 100 anos atrás.

A exposição tem patrocínio do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e reúne pinturas, fotografias, objetos, peças de vestuário e mobiliário de época que buscam mostrar como se vivia na então capital do Brasil e quais eram os desafios do período. A Rio-1922 ficará em cartaz até dezembro, com entrada franca, no MHN, situado na Praça Marechal Âncora, região central da cidade. O museu de quarta a sexta-feira, das 10h às 17h, e, aos sábados e domingos, das 13h às 17h.

“Para nós, 2022 é tanto a comemoração do nosso centenário, como do bicentenário da Independência, porque o museu foi criado no ano das comemorações desse evento, em 1922”, disse a coordenadora técnica do MHN, Fernanda Castro, em entrevista à Agência Brasil. O dia 18 foi escolhido para abertura da mostra por se tratar do Dia Internacional dos Museus.

A Rio-1922 começa retratando a derrubada do Morro do Castelo e as transformações da região onde se localiza o museu e fala também da Exposição Internacional do Centenário da Independência. Toda a área foi transformada para receber a mostra. Um dos módulos destaca o que acontecia no Rio de Janeiro naquela época, como as pessoas se vestiam, quais produtos circulavam na cidade. Serão exibidas imagens sobre o Rio antigo, finalizando com o contexto da criação do Museu Histórico Nacional.

Fazem parte da mostra o acervo do próprio MHN e peças cedidas pelo Ibram, como também pelo Museu Nacional de Belas Artes, que apresentará ao público o movimento modernista no Rio de Janeiro, “trazendo um pouco da efervescência carioca dos anos 20”, destacou Fernanda Castro. A Rio-1922 tem apoio da Associação dos Amigos do MHN e parceria com outras instituições públicas, como o Museu da República e o Centro Técnico Audiovisual.

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Medalha

Pátio da Minerva - MHN Pátio da Minerva - MHN

A obra Pátio da Minerva, que faz parte do acervo do Museu Histórico Nacional – Manuel de Oliveira Pastana/Acervo MHN

Na abertura da Rio-2022, o MHN receberá a Medalha Tiradentes, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a pessoas e instituições que prestaram relevantes serviços à causa pública no estado. A Associação dos Amigos do MHN e quatro ex-diretores da instituição receberão moções honrosas: Heloísa Duncan, Solange Godoy, Vera Tostes e Paulo Knauss.

Fernanda Castro informou que, na quinta-feira (19), serão inauguradas mais duas exposições, uma delas, virtual: Entre Cenas e Retratos, que poderá ser acessada na plataforma Google Arts & Culture. A segunda, presencial, é a Brasil Decolonial – Outras Histórias, um conjunto de 17 intervenções no circuito de longa duração do MHN sobre temas e objetos relativos à diáspora africana na história do Brasil.

A programação da Semana Nacional de Museus encerra-se na sexta-feira (20) com mais uma edição do projeto Bonde da História em Casa, transmitido pelo canal do MHN no YouTube, que leva o público a ‘passear’ virtualmente pelo museu com a atividade “200 Anos da Independência do Brasil”. A mostra é interativa e não necessita de inscrição prévia para ser acompanhada.

“Qualquer pessoa pode acompanhar e interagir com a nossa equipe por meio do canal do YouTube. A gente responde a perguntas. É uma visita interativa”, explicou a coordenadora técnica do Museu Histórico Nacional.

Outros museus

No Museu do Índio, órgão científico-cultural vinculado à Fundação Nacional do Índio (Funai), foi lançada hoje (16) a mostra virtual Arte Indígena no Museu: Das Aldeias para O Mundo. Na mostra, que integra a programação da 20ª Semana Nacional de Museus, os visitantes podem fazer o percurso que artes e artefatos de diferentes culturas indígenas percorrem até chegarem ao museu e estarem prontos para serem difundidos ao público.

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Em Petrópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro, poderá ser vista a mostra comemorativa dos 200 anos da Imperatriz Dona Teresa Cristina, no Palácio Imperial, com ingressos a preços populares: R$ 10 a inteira e R$ 5, a meia-entrada.

Em Niterói, região metropolitana do Rio, o Museu do Ingá promove na quarta-feira visita sensorial mediada. A atividade pretende atender todos os públicos, principalmente as pessoas com perda parcial e total de visão, ampliando o acesso à obra e promovendo uma experimentação.

No Instituto Moreira Salles, localizado na Gávea, está programada, também para quarta-feira, das 19h às 21h, a exibição do primeiro vídeo da série infantojuvenil Pega a Visão, sobre o acervo de fotografia da instituição. A jovem Mari reflete sobre imagens do acervo e a potência do protagonismo indígena nas narrativas visuais. O lançamento será na mesa Museus e Culturas Indígenas, e a transmissão será ao vivo pelo canal do IMS no YouTube e no Facebook.

Em parceria com a Secretaria de Educação do Município do Rio de Janeiro, o Museu de Ciências da Terra, localizado na Urca, promove amanhã (17), das 16h às 18h, o lançamento do projeto do Programa Museu em Movimento/22, para as crianças da educação infantil que estudam nos complexos do Chapadão e Pedreira, considerados áreas de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Rio de Janeiro.

O Guia de Programação da 20ª Semana Nacional de Museus pode ser acessado aqui. Participam da programação deste ano 877 museus de todo o país, com 2.587 eventos cadastrados. Estão inscritas 379 cidades de 26 estados. As atividades incluem shows, teatros, seminários, exposições, cinema, visitas mediadas, debates, lançamentos de livro, oficinas, festivais, entre outras.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Geral

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Tragédia de Mariana: Justiça suspende exigências impostas a atingidos

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O desembargador José Amilcar Machado, presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), suspendeu exigências impostas para adesão ao sistema online criado para a indenização de atingidos do rompimento da barragem da mineradora Samarco, ocorrido em 2015.

A decisão vale para os moradores de Naque (MG), mas o Ministério Público Federal (MPF) já informou que solicitará a extensão dos seus efeitos para as demais cidades.

A contratação obrigatória de advogado particular, a assinatura de um termo de quitação integral e a renúncia de outras ações judiciais que pleiteiam verbas indenizatórias estão entre os requisitos considerados ilegais pelo desembargador. Para ele, os valores que estão sendo pagos foram definidos de forma aleatória e devem ser encarados como uma antecipação da indenização. A contratação do advogado passa a ser facultativa.

Se for estendida para atingidos das demais cidades, a decisão traz impactos significativos para o processo reparatório. Assinada na terça-feira (21), a medida atende parcialmente pedidos formulados por cinco instituições de Justiça: MPF, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública da União (DPU) e defensorias públicas estaduais de Minas Gerais e do Espírito Santo.

“O recebimento de valores indenizatórios qualificados como médios, definidos aleatoriamente em processo cuja decisão foi proferida pouco tempo após o recebimento da petição inicial ,somente podem resultar em quitação parcial, ou seja, os pagamentos realizados em conformidade com a tutela de urgência, concedida na decisão que se pretende suspender parcialmente, devem ser considerados como adiantamento de indenização (piso-mínimo indenizatório)”, escreveu Machado.

Ruptura da barragem

A ruptura da barragem, localizada no município mineiro de Mariana, liberou uma avalanche de rejeitos que alcançou o Rio Doce e escoou até a foz, causando diversos impactos socioambientais e socioeconômicos, além de 19 mortes. O sistema indenizatório online, batizado de Novel, foi criado em 2020, cerca de cinco anos após a tragédia que afetou dezenas de cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.

A gestão de todas as ações de reparação ficaram a cargo da Fundação Renova, entidade que é mantida com recursos da Samarco e de suas acionistas Vale e BHP Billiton. Ela foi criada em 2016, atendendo a termo de transação e ajustamento de conduta (TTAC) firmado entre as três mineradoras, o governo federal, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Mais de 40 programas ficam sob sua responsabilidade, entre eles o de indenização individual.

A atuação da Fundação Renova, no entanto, é bastante criticada por comissões de atingidos e por instituições de Justiça. O MPMG chegou a pedir judicialmente sua extinção, alegando que a entidade não goza da devida autonomia frentes às mineradoras.

A morosidade dos programas também motivou questionamentos judiciais: a reconstrução das duas comunidades destruídas em Mariana até hoje não foi concluída. Em julho de 2020, relatório da Ramboll, uma das consultorias externas independentes que assessoram o MPF, apontava que apenas um terço das famílias cadastradas em toda a bacia do Rio Doce haviam recebido alguma indenização.

A implantação do Novel foi saudada pela Fundação Renova como uma solução para destravar o processo indenizatório, possibilitando reconhecer como atingidos trabalhadores informais que tinham dificuldades de comprovar os danos. Por outro lado, recebeu críticas do MPF. O sistema desdobrou-se de decisões de primeiro grau, assinada pelo juiz Mário de Paula Franco Júnior. As primeiras delas, de setembro de 2020, abarcavam moradores de Naque (MG) e Baixo Guandu (ES). Posteriormente, novas sentenças englobaram residentes em outras 42 cidades.

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Mário de Paula fixou valores, que variam de R$ 71 mil a R$ 161,3 mil, para indenização de artesãos, carroceiros, lavadeiras, pescadores de subsistência e informais, areeiros e outros. O sistema também indeniza categorias formais como pescadores profissionais, proprietários de embarcações e empresas como hotéis, pousadas e restaurantes. O valor mais alto é R$ 567,5 mil, para proprietários de embarcação camaroeira.

Adesão ao Novel

A adesão ao Novel deveria ser feita na plataforma online pelo advogado que estivesse representando o atingido. Eles poderiam cobrar até 10% da indenização a título de honorários. Em sua decisão, o desembargador José Amilcar Machado pontuou que a contratação de advogado particular deve ser considerada facultativa e que a Fundação Renova tem obrigação de disponibilizar ao atingido uma assessoria jurídica gratuita, conforme consta na cláusula 37 do TTAC firmado em 2016.

Ele também menciona que o MPF incluiu nos autos relatos de episódios envolvendo ameaças e coações e avaliou que há atingidos em situação de hipervulnerabilidade. “Aceitaram todas as obrigações impostas, inclusive as que são reputadas ilegais, uma vez que se encontravam em estado de absoluta necessidade dos valores, fechando, assim, acordos estando desprovidos de real autonomia”, escreveu.

A decisão também dá respaldo para que atingidos possam buscar indenização no Reino Unido, onde fica a sede da BHP Billiton. Nos tribunais ingleses, tramita uma ação em que o escritório PGMBM representa milhares de atingidos e diversas prefeituras e empresas, além da Igreja Católica. A desistência desse processo era um pré-requisito para ingressar no Novel.

Segundo os últimos dados divulgados pela Fundação Renova, da sua criação até abril desse ano, o Novel já permitiu a destinação de R$ 6,01 bilhões para 59,5 mil pessoas. Os valores correspondem a 74,9% de todas as indenizações individuais pagas desde a tragédia.

Procurada pela Agência Brasil, a Fundação Renova informou que por enquanto não vai se pronunciar sobre a decisão do presidente do TRF-1. A Samarco adotou a mesma postura. Em nota, a mineradora disse que “não foi intimada e, por isso, não vai comentar”.

Controvérsias

Entre diversas críticas à implantação do Novel, o MPF questiona porque não foi intimado pelo juiz Mário de Paula para atuar como fiscal da lei, uma vez que o assunto envolve direitos coletivos. Os processos de Naque e Baixo Guandu correram em sigilo. Recursos foram movidos pelo MPF, nos quais foram contestados alguns valores fixados e o recebimento de ações ajuizadas por comissões de atingidos sem representatividade e sem legitimidade.

Como a Fundação Renova celebrou as decisões, levantou-se a suspeita de lide simulada, que ocorre quando o processo é aberto após acordo prévio entre advogados de ambas as partes. No entanto, os recursos anteriores apresentados pelo MPF não obtiveram sucesso .

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Na cidade de Mariana (MG), o Novel gerou uma situação singular. O município foi um dos últimos incluídos no sistema.

Surpresa

A medida pegou o MPMG de surpresa porque, diferentemente do que ocorria em todas as demais cidades da bacia do Rio Doce, as indenizações dos atingidos de Mariana vinham sendo tratadas na Justiça estadual. Até então, os pagamentos eram feitos pelo Programa de Intermediação Mediada (PIM). Uma das principais diferenças do processo de Mariana é que a Justiça Estadual determinou que o cadastramento das famílias não fosse realizado pela Fundação Renova e sim pela Cáritas, entidade escolhida pelos atingidos para prestação de assessoria técnica.

Em maio, Marino D’Ângelo, produtor rural e integrante da comissão dos atingidos de Mariana disse à Agência Brasil que a maioria dos que sofreram os maiores danos recusa-se a aceitar os valores oferecidos no âmbito do Novel. “Para quem não teve que correr da lama, que não teve a casa ou as terras duramente afetadas, as quantias podem ser bem-vindas. Mas vejo que a Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton estão usando esse sistema de indenização para divulgar números fabulosos e estimular aqueles atingidos da linha de frente a aderir. Alguns cederam e aderiram, mas é uma proposta de exclusão. Não cobre 10% do meu prejuízo”.

A Cáritas chegou a preparar uma cartilha listando preocupações com algumas características do sistema Novel. O documento chamava a atenção para a exigência de assinatura de termo quitação total e integral e para a impossibilidade de apresentar contraproposta, já que os valores foram tabelados pelo juiz.

Mas no PIM, muitas negociações também estão travadas. A Fundação Renova trabalha com valores distintos daqueles que foram fixados na matriz de danos dos atingidos, elaborada pela Cáritas com base em consultorias de instituições de pesquisa. Sem perspectiva de evolução, o MPMG ajuizou, em outubro do ano passado, uma ação contra a Samarco, a Vale e a BHP Billiton. Foi pedida a destinação imediata de R$ 2,54 bilhões para indenizar as cerca de 1,3 mil famílias de Mariana cadastradas pela Cáritas.

Repactuação

Com a suspensão da validade dos termos de quitação integral, atingidos já indenizados no Novel podem pleitear novos pagamentos para a reparação dos danos sofridos, aumentando o passivo já existente. Segundo o  Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há cerca de 85 mil processos judiciais relacionadas à tragédia em tramitação no país.

Em busca de uma solução para esse quadro, atualmente está em curso uma mediação que pode levar a uma repactuação de todos os esforços de reparação. O CNJ está conduzindo esse trabalho.

A expectativa do MPF e do MPMG é de que um novo termo para a reparação seja assinado com as mineradoras estabelecendo outro modelo de governança, similar ao do acordo da tragédia em Brumadinho (MG), sem a participação de uma entidade nos moldes da Fundação Renova.

Os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo também participam das tratativas e audiências públicas têm sido realizadas para ouvir os atingidos.

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Geral

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