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O PL do senador Eduardo Gomes, presidente estadual da legenda e candidato à reeleição, entra na disputa de 2026 sob o risco de ficar sem nenhuma das oito cadeiras do Tocantins na Câmara dos Deputados. O partido elegeu dois federais há quatro anos, mas chega à eleição deste ano com uma chapa mais dependente do desempenho de Filipe Martins, único parlamentar da bancada atual da sigla que busca novo mandato.

Em 2022, o PL contou com dois nomes que dividiram o peso eleitoral da chapa. Filipe Martins recebeu 36.293 votos e Eli Borges somou 35.171. Os dois foram eleitos e, juntos, colocaram 71.464 votos na conta partidária. O resultado garantiu ao PL duas das oito cadeiras destinadas ao Tocantins na Câmara.

O cenário mudou quatro anos depois. Eli deixou o PL e disputa o Senado pelo Republicanos, enquanto Filipe passou a concentrar a maior expectativa eleitoral da chapa federal. A nominata do partido reúne ainda Adir Gentil, Eladia, Professora Elizabeth, Dr. Henrique Martins, Juacir da Semente, Maurício Buffon e Sirleide Mauriz.

Filipe, porém, não chega à eleição sustentado apenas pelo mandato conquistado em 2022. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, foi eleito vereador de Palmas em 2016 e reeleito em 2020. É filho do ex-deputado federal e pastor Amarildo Martins, presidente da Convenção Estadual dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus Nação Madureira no Tocantins (Conemad-TO), grupo que declarou apoio à sua reeleição. Filipe construiu parte importante de sua trajetória política no segmento evangélico e mantém na Madureira uma de suas principais bases eleitorais.

Essa força individual, no entanto, não resolve sozinha a conta do PL. A eleição para deputado federal é proporcional e o desempenho dos demais integrantes da nominata será decisivo para que o partido alcance votação suficiente para disputar uma das oito vagas. O desafio está justamente em saber quanto os outros sete candidatos conseguirão acrescentar à votação de Filipe.

A eleição de quatro anos atrás ajuda a dimensionar a dificuldade. O Tocantins registrou 830.140 votos válidos para deputado federal em 2022. Com oito cadeiras em disputa, o quociente eleitoral ficou em 103.767 votos. Filipe e Eli tiveram votações individuais próximas, mas o resultado do PL também dependeu da soma obtida pelo conjunto da chapa e da distribuição das vagas pelo sistema proporcional.

A diferença para 2026 está na ausência de um segundo candidato com desempenho anterior semelhante ao de Eli. Professora Elizabeth, por exemplo, recebeu 15.757 votos para deputada federal em 2022. Maurício Buffon, ligado ao agronegócio e com passagem pela presidência da Aprosoja Tocantins e da Aprosoja Brasil, aparece entre as apostas da legenda. Ainda assim, o PL terá de transformar esses e os demais nomes da chapa em uma soma capaz de manter o partido na disputa pelas sobras.

A dificuldade aumenta diante das nominatas adversárias. Partidos como Republicanos, União Brasil, PP e Podemos chegam à eleição com candidatos que possuem mandato, votação anterior ou bases eleitorais próprias. Como o Tocantins dispõe de apenas oito cadeiras, uma chapa que consiga eleger dois ou três deputados reduz o espaço disponível para partidos que dependam das últimas vagas.

É nesse ponto que a eleição para a Câmara também passa a representar um teste para Eduardo Gomes. Presidente estadual do PL e candidato a mais um mandato no Senado, ele comanda um partido que saiu das urnas em 2022 com dois deputados federais. Preservar ao menos uma cadeira significa impedir que a legenda perca toda a representação que conquistou quatro anos atrás.

Filipe tem mandato, histórico eleitoral em Palmas e uma base evangélica organizada para sustentar sua tentativa de reeleição. A dúvida está no desempenho coletivo. Sem Eli Borges e sem outro candidato que parta de uma votação próxima aos 35 mil votos que ele entregou em 2022, o PL precisará encontrar essa diferença dentro da própria nominata. Se não conseguir, o partido de Eduardo Gomes pode terminar a eleição sem representante tocantinense na Câmara dos Deputados.