Eleito deputado federal pela primeira vez em 2022, Alexandre Guimarães (MDB) chega à reta das convenções em posição bem diferente da que ocupava no início da pré-campanha. Em menos de quatro anos de mandato, o parlamentar deixou de ser visto apenas como um nome forte de Araguaína para se consolidar entre os principais concorrentes às duas vagas ao Senado. As pesquisas divulgadas nas últimas semanas o colocam de forma recorrente entre os primeiros colocados, dividindo espaço com nomes mais conhecidos da política tocantinense.
O crescimento da candidatura parece estar ligado a uma estratégia diferente da adotada por outros adversários. Em vez de concentrar esforços apenas em prefeitos e grandes lideranças, Alexandre investiu em uma rede formada por vereadores, suplentes de vereadores e presidentes de câmaras municipais. São agentes políticos que permanecem em contato diário com a população e funcionam como a primeira porta para reclamações, pedidos e demandas locais. Em praticamente todas as agendas pelo interior, o deputado faz questão de reunir essas lideranças, muitas vezes utilizando as próprias casas dos vereadores como ponto de encontro. O movimento começou ainda antes da consolidação da chapa e se tornou uma das marcas de sua pré-campanha.
Os resultados começam a aparecer para além do Norte do Estado, onde está sua principal base eleitoral. Levantamentos recentes mostram Alexandre competitivo também em outras regiões, inclusive no Sul do Tocantins, sinalizando um processo de estadualização da candidatura. Para uma disputa ao Senado, em que o voto regional costuma limitar muitos candidatos, ampliar presença fora do reduto passa a ser um dos principais ativos políticos.
Outro fator que favorece o deputado é a própria configuração da chapa encabeçada por Vicentinho Júnior (PSDB) e Amélio Cayres (MDB). Até o momento, Alexandre é o único nome definido para o Senado. A segunda vaga permanece aberta, mas, quanto mais sua candidatura se fortalece, menor tende a ser o espaço político para a entrada de outro concorrente com densidade eleitoral semelhante. A tendência é que qualquer eventual composição seja construída para complementar, e não disputar protagonismo interno.
Esse cenário ajuda a explicar por que Alexandre passou a ocupar o radar dos adversários. Em uma eleição para duas vagas, um candidato que se consolida entre os primeiros colocados altera toda a matemática da disputa. O crescimento do emedebista reduz a margem de erro dos demais postulantes e aumenta a concorrência pela segunda cadeira. A partir das convenções e do início da campanha oficial, o desafio de Alexandre será transformar a boa largada em uma candidatura de alcance estadual. Até aqui, porém, poucos nomes cresceram de forma tão consistente quanto o deputado federal estreante que hoje aparece como um dos principais protagonistas da corrida ao Senado.
