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RAUL FILHO: “Amastha é um fanfarrão e está extorquindo a população”

O pré-candidato a prefeito de Palmas disse ainda que está confiante em reverter definitivamente a sentença que o deixou inelegível

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Raul de Jesus Lustosa Filho nasceu no dia 06 de novembro de 1959 na cidade de Gilbues, no Piauí, mas migrou com a família para a cidade de Araguaçu, no então Norte goiano com apenas 5 meses de idade. Aos 22 anos foi eleito prefeito, foi deputado constituinte do Tocantins em 1988. Foi eleito deputado por dois mandatos, entre 1991 e 1998. Derrotado por duas vezes na disputa à prefeitura de Palmas foi eleito em 2004 e reeleito em 2008. É casado com Solange Duailibe e pai de quatro filhos.

 

FOLHA CAPITAL – O senhor já foi prefeito de Palmas duas vezes. O que o leva a tentar o terceiro mandato?
RAUL FILHO – Primeiro foi uma convocação das pessoas que moram em Palmas. Depois, você nunca consegue colocar em prática todos os seus projetos e ideias, ainda mais em uma cidade como Palmas, que está sempre em construção.

 

Sua pré-candidatura está apoiada em uma liminar monocrática do Superior Tribunal de Justiça. O senhor não acha que isso acaba gerando muitas incertezas sobre a sua candidatura?
Não acho. O que importa hoje é que temos esse reconhecimento da Justiça que está nos facultando a condição de disputar a prefeitura e cabe a ela julgar em definitivo. Temos consciência e convicção de que a Justiça será feita.

 

O senhor não teme que possa acontecer com o senhor o que aconteceu com Marcelo Miranda, em 2010, quando venceu as eleições para senador, mas acabou sendo cassado pelo TSE?
Não. São ações distintas. No nosso processo a Justiça começa a reconhecer que não houve crime. Estão nos imputando um crime que não existe. Então a Justiça às vezes se equivoca, mas temos a confiança que ela será feita. Não há um plano B porque a nossa confiança é plena no sucesso dessa ação.

 

Caso o senhor seja homologado candidato, durante a campanha, como o senhor pretende responder às acusações que pairam contra o senhor, como a ação aonde o senhor é investigado por supostamente favorecer a empreiteira Delta, ligada ao contraventor Carlinhos Cachoeira?
Eleição é uma guerra e você tem que lutar com as armas que você tem. Se essas forem as armas que os nossos adversários acham que serão suficientes para nos abater, que façam uso delas. Nós vamos fazer uma campanha no nível das ideias, propostas e programas.
No entanto, se em algum momento tivermos que usar artilharia contra este ou aquele candidato, só não usaremos se eles não tiverem. Então, quem não tiver nenhum pecado vai atirar a primeira pedra.

 

O atual prefeito o acusa de priorizar apenas a Educação e deixar de lado todas as outras áreas. Como o senhor vê essas críticas?
Essa é uma avaliação dele. O nosso governo atuou em todas as áreas. Nós não tivemos um governo de marketing como é o dele. Então, a sociedade vai fazer o melhor juízo sobre gestão.
Não precisa que ele antecipe essa comparação. Ele [Amastha] vai ter contas a prestar e a sociedade, que vai fazer a comparação entre as duas administrações.

 

O senhor não teme essa comparação?
Eu torço para que a população faça essa comparação e julgue quem foi o melhor prefeito para a cidade. O atual gestor precisa prestar contas do que ele fez para saber se a população o aprova nas urnas para que ele permaneça por mais quatro anos. Eu já passei por isso e fui aprovado. Será que ele consegue fazer o mesmo? Duvido muito, pois nota-se a olhos vistos que a população clama por mudança.

 

Como o senhor vê a atual gestão?
Eu vejo o prefeito Carlos Amastha como um fanfarrão. Sua administração é muito marketing e pouca ação concreta. A população está se manifestando rejeitando a atual administração, de tal forma que eu estou longe de acreditar que ele será candidato. Acredito que ele vai jogar a toalha na hora certa.

 

O senhor acha que a divisão das oposições favorece a reeleição do prefeito Carlos Amastha?
O ideal seria que as oposições marchassem unidas, mas, como isso não é possível, o que temos que fazer é nos respeitar mutuamente e cada um fazer o seu melhor, mostrando o seu trabalho e conquistando o seu espaço para libertar Palmas da atual administração.
Na minha opinião, a rejeição ao prefeito Carlos Amastha é irreversível e existe muito espaço para ser conquistado. Cabe a mim, à Cláudia Lélis [pré-candidata pelo PV] e aos demais candidatos, buscar junto à sociedade a confiança para vencer esse processo. É nisso que estamos confiantes e temos trabalhado.

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Quando o senhor foi candidato à reeleição a sua rejeição era ainda maior que a do prefeito Carlos Amastha, e mesmo assim o senhor conseguiu vencer. Porque no caso dele seria diferente?
Era diferente, porque nós tínhamos parte do nosso governo rejeitado. Mas quando era pesquisado o nome do prefeito, eu não tinha o nível de rejeição que tem o atual prefeito. E, no caso dele, as pesquisas têm mostrado que é irrecuperável, pois está ligada à prepotência, arrogância, à sobreposição de inteligência aonde ele julga todas as pessoas menos inteligentes que ele por não pensarem da mesma forma. Então, é uma rejeição diferente e por isso irrecuperável. No nosso caso bastou mostrar o que o nosso Governo fez e a nossa gestão passou a ser aprovada. Inclusive ele mesmo [Amastha] era um que reconhecia os avanços da nossa gestão. Mas, agora, ele próprio não tem nada para mostrar.

 

O que o senhor quer dizer é que na sua gestão tinha muito trabalho e pouco marketing, enquanto na administração Carlos Amastha existe muito marketing e pouco trabalho?
Não é que a administração dele tem muito marketing, a nossa é que não tinha nenhum, e nós erramos nesse aspecto. Nossa preocupação sempre foi muito maior em construir casas, pontes, escolas, unidades de pronto atendimento, entre outros. A partir do momento que nós mostramos para a sociedade o que estávamos fazendo a cidade nos abraçou e reconduziu à prefeitura. Por ele não ter nada mais para mostrar além do pouco que já foi mostrado em suas campanhas publicitárias, duvido que ele consiga reverter a rejeição da população ao seu nome.

 

Caso o senhor seja eleito prefeito de Palmas, o senhor pretende construir um hospital municipal de urgência e emergência?
As UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) atendem as obrigações do município, que são os atendimentos de baixa e média complexidade. Então, não está pactuada entre Município Estado e União a obrigatoriedade da Prefeitura construir um hospital de urgência e emergência. Mas, se o Estado transferir essa responsabilidade junto com uma repactuação financeira, eu não vejo problemas para que isso ocorra.

 

O que a prefeitura pode fazer para reduzir os índices de violência em Palmas?
Do ponto de vista constitucional a Segurança Pública é uma obrigação do Estado. Mas a prefeitura não pode se omitir de dar a sua contribuição. Prova disso é o que já fizemos, quando pegamos uma Guarda Metropolitana que tinha apenas a obrigação de vigiar órgãos públicos e demos aos seus membros capacitação e formação para auxiliarem na segurança da população. Prova disso é que a nossa Guarda, durante o meu mandato, foi a primeira do Brasil a ter a prerrogativa de andar armada, além de contar com equipamentos modernos e veículos novos. Boa parte dos atendimentos quem fazia era a GMP e se voltarmos a prefeitura vamos ampliar o quantitativo de agentes através de concurso público, aumentando a presença deles dentro das quadras, perto da população, ajudando a inibir a marginalidade que hoje tomou conta da nossa cidade.

 

O senhor pretende rever o reajuste da planta de valores imobiliários dos imóveis em Palmas?
Na verdade o que houve não foi reajuste. O que houve foi uma extorsão por parte da atual administração de Palmas contra a população. É um assalto o que está acontecendo com o cidadão palmense. Nós temos que ter pelo menos senso de Justiça.
Como é que a prefeitura aumenta o valor venal dos imóveis em até 2400% num país em que a inflação era de 6% e que hoje está em 11%? Isso é um abuso.
Nós temos que rever isso, reavaliando a planta de valores imobiliários, encontrando um ponto de convergência que não penalize tanto o contribuinte. E isso estamos fazendo desde agora, pois a nossa equipe está reavaliando o aumento desse e de outros tributos que foram reajustados injustificadamente.

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Mas a prefeitura vai realizar renúncia de receita?
Como é que a prefeitura não pode fazer renúncia de receita, mas pode impor à população aumentos abusivos de impostos. Acima do que ela é capaz de pagar? Então vamos repensar a questão dos impostos e reduzir essa carga tributária abusiva.

 

Como o senhor vê a questão do estacionamento rotativo?
O estacionamento rotativo é uma lei criada em nosso governo, mas que tinha fins filantrópicos para ajudar a Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais). Infelizmente a Apae não conseguiu se organizar para explorar o serviço e a atual gestão desvirtuou o projeto priorizando o interesse econômico para beneficiar uma empresa que fica com 93% do total arrecadado e repassa apenas 7% para a prefeitura.
Se vencermos as eleições o nosso primeiro ato vai ser suspender a partir de 1º de janeiro essa cobrança, rever e direcionar para o destino apropriado, que é atender a filantropia, dentro de um preço justo e um prazo de tolerância para os motoristas. Ao contrário do que existe hoje, aonde cidadãos e empresários sofrem com esse desserviço implantado ao arrepio da lei.

 

Quais são os seus projetos na área de geração de emprego e renda?
Quando assumimos a prefeitura de Palmas a taxa de desemprego era de 24,75% e ao fim do nosso governo ela estava em menos de 8%. Esses dados estão disponíveis no site do Caged para quem quiser ver.
Para reduzir o desemprego tomamos uma série de medidas, como priorizar a compra no comércio local, contratar prestadores de serviços de dentro da cidade, permitindo que o dinheiro circulasse dentro da cidade e movimentando a cadeia produtiva, gerando ainda mais emprego e renda. Além de programas interessantes como “Meu Primeiro Emprego”, que visava atender os mais jovens, e o Banco do Povo, que ajudava a fomentar iniciativas de microempreendedores, oferecendo capacitação através de parcerias com o Senai (Serviço Nacional da Indústria ). Uma busca incessante para atração e implantação de empresas que também contribuíram na geração de emprego e renda. Caso seja eleito novamente vamos implantar novamente esses e outros programas e benefícios.

 

O que o senhor pretende fazer para universalizar o acesso às creches e à escola de tempo integral?
Durante a nossa administração a Educação melhorou muito. Implantamos o ensino de tempo integral, inauguramos inúmeras creches e já caminhávamos para a universalização, sem abrir mão da qualidade do ensino com salas de aula modernas, com professores qualificados e material didático suficiente.
Nos berçários nós nunca permitimos mais que 18 crianças e hoje temos até 45, e isso está sendo feito para mascarar uma situação na qual a atual gestão não consegue melhorar o padrão da rede de creches e escolas. O que vemos hoje, infelizmente é um depósito de crianças. A atual gestão chegou ao cúmulo de tirar os professores da sala de aula para colocar cuidadores.
Então, caso venha a assumir novamente a prefeitura de Palmas vamos universalizar, com qualidade, o acesso às creches e às escolas públicas de tempo integral já no segundo ano do nosso governo.

 

Que mensagem o senhor deixa para a população palmense?
O Brasil atravessa uma fase de muita desconfiança e desilusão do cidadão com a política, mas a política é uma ciência muito bonita e necessária em nossas vidas. É uma arte. E nós somos apenas um produto dessa ciência, mas somos transitórios. Então, peço aos cidadãos que não percam a esperança de um Brasil, de um Estado e uma cidade melhor. Mas para que ela seja melhor nós temos que participar, pois a partir daí o cidadão se legitima a cobrar e a criticar com mais propriedade.
Vamos para as ruas para debater e escolher alguém entre o universo de pré-candidatos da oposição alguém em que a população pode ter mais confiança, numa cidade que já foi uma das melhores do Brasil e da região Norte e que precisa voltar a ser. Não pode ser uma cidade que tenha só jardins, limpeza e meio-fio, que precisa ter e ainda ampliar, mas que cuide também das pessoas, com projetos em que elas se vejam contempladas, com educação de qualidade, saúde digna, moradia decente e infraestrutura para a cidade.

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Inscrições para cursos preparatórios se encerram nesta sexta-feira

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A Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) segue até sexta-feira, 19, com inscrições abertas para os cursos preparatórios ao Enem (presencial) e concursos públicos e pré-vestibular (online). As aulas começam na próxima segunda-feira, dia 22.

Para inscrever-se no cursinho ao Enem, o interessado precisa procurar a Escola do Legislativo, no prédio da Assembleia, no período matutino. Já na modalidade EaD (Ensino à Distância), as inscrições poderão ser feitas até o próximo dia 19, pela plataforma www.escolalegto.com.br.

Na plataforma digital de ensino à distância, a Escola do Legislativo está disponibilizando vagas para 11 (onze) cursos totalmente gratuitos, com destaque aos cursos preparatórios para pré-vestibular, 130 vagas, e 80 vagas para concurso público.

Já para o curso presencial preparatório ao Enem em Palmas, são 180 vagas. Neste ano, a Escola do Legislativo vai ofertar também vagas para o curso presencial na cidade de Gurupi. As inscrições se encerram nesta sexta-feira, 19.

Atualmente, estão matriculados 1.100 alunos de 60 municípios do Tocantins. A iniciativa conta com a parceria das câmaras municipais, que são multiplicadoras nas comunidades e sempre buscaram apoio do Parlamento para capacitações e cursos de aperfeiçoamento.

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Egressos

O estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Yuri Lipi, foi um dos alunos que fizeram o cursinho, e fez questão de motivar outros jovens em suas redes sociais. “Façam este curso, que é sucesso; passei para Jornalismo através dele, sem contar que os professores são os mesmos dos cursinhos particulares. Tudo grátis!”.

Ex-aluno do curso preparatório da Escola, Junio Souza também aprovou os resultados. “Eu indico: os melhores professores da capital estão dando aula lá. E outra coisa: é aberto ao público, então não perca essa oportunidade!”.

Geovanna também compartilhou em suas redes sociais as vantagens de fazer o curso. “Foi o cursinho gratuito que fiz durante uns meses antes da pandemia; grandes professores da rede particular deram aula lá. Portanto, indico a quem não tem condições de custear um privado”.

Fonte: Assembleia Legislativa do TO

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