Empresa de UTI móvel fecha após levar calote de R$ 3,2 milhões do Estado

As seis UTI's da empresa devem ser colocadas à venda para amortizar a dívida com credores e impostos até receber ao menos parte da dívida da Sesau

A Unicare, empresa especializada na remoção de pacientes através de UTI’s móveis e que presta serviço para a Secretaria Estadual da Saúde desde 2013 em Palmas, Araguaína e Gurupi, encerrou as atividades e demitiu seus mais de 40 funcionários no início deste mês alegando dificuldades financeiras causadas pelo não recebimento de R$ 3,2 milhões junto à secretaria.

A empresa, que fazia cerca de 160 atendimentos mensais, dispõe de seis unidades de UTI’s terrestres móveis que prestavam serviço em Palmas, com três unidades, Araguaína com duas unidades e Gurupi com uma unidade, que serão postas à venda e mais de quarenta funcionários entre equipe de atendimento, com médicos, enfermeiros e motoristas, e funcionários administrativos, todos demitidos entre os dias 14 e 17 de dezembro.

Segundo a representante da empresa, Evelini Franco, a decisão de encerrar as atividades veio depois de anos de serviços prestados sempre com meses de atrasos nos pagamentos. No entanto, ela ressalta que, nos últimos seis meses os pagamentos teriam ficado ainda mais escassos, culminando com a decisão de fechar a empresa. “A empresa sempre atendeu rápido e a contento as demandas da Sesau. No entanto, os pagamentos pelos serviços prestados não acompanharam o volume demandado pelo órgão, deixando-a insolvente, com dívidas com funcionários, fornecedores e impostos”, lamenta Evelini.

A representante afirma que no início de dezembro a empresa chegou a receber menos de 10% do valor devido pela secretaria, mas que foi suficiente apenas para pagar os salários em atraso. “Em dezembro recebemos cerca de R$ 440 mil, mas mal foi suficiente para pagar nossa folha. Como não temos perspectiva de novos recebimentos vimos que não era possível mais manter as portas abertas”, conta Evelini.

Indignação
O encerramento das atividades foi comunicado à Sesau no último dia 13 de dezembro, através de ofício endereçado ao secretário Renato Jayme, que segundo Evelini não deu qualquer perspectiva de pagamento, sendo que tem informações de a Sesau já teria chamado inclusive uma empresa do Maranhão para prestar o serviço. “É revoltante uma empresa tocantinense fechar as portas por falta de pagamento e em seguida vermos ser convocada uma empresa de fora do Tocantins para prestar os mesmos serviços, que vai levar os recursos para fora do estado ao invés de ajudar a movimentar a economia local”, afirmou a representante.

A representante da empresa, afirma que vai impetrar uma ação visando garantir o recebimento dos mais de R$ 3,2 milhões. “Vamos entrar com processo judicial para garantir os valores e estamos estudando um pedido de indenização por perdas e danos, devido aos problemas financeiros que nos causaram e que culminaram com o encerramento das atividades da empresa”, apontou Evelini.

Nossa equipe entrou em contato com a Secretaria Estadual da Saúde, através da sua assessoria de comunicação, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta. O espaço continua aberto para as explicações do órgão.

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