O avanço da obesidade no Brasil tem impulsionado o aumento da procura por cirurgias bariátricas no país. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), com base em informações do Sisvan, apontam que mais de 5 milhões de brasileiros apresentaram algum grau de obesidade entre janeiro e maio de 2025. Desse total, 13,8% possuem obesidade grau III, considerada a forma mais grave da doença.
O crescimento dos casos também se reflete no aumento da realização de cirurgias bariátricas. Segundo a SBCBM, entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 291.731 procedimentos, consolidando-se como o segundo país que mais realiza esse tipo de cirurgia no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Apesar de ser cada vez mais frequente, a cirurgia bariátrica exige atenção especial. Hipertensão arterial, diabetes, apneia obstrutiva do sono e dificuldades respiratórias estão entre os fatores que aumentam a complexidade do procedimento.
Nesse contexto, a avaliação pré-anestésica é considerada uma etapa fundamental para identificar riscos e planejar a condução mais segura da cirurgia. Além de analisar exames e histórico clínico, o anestesiologista avalia aspectos respiratórios, cardiovasculares e metabólicos que podem impactar diretamente no procedimento e na recuperação do paciente.
Segundo o médico anestesiologista e presidente da Coopanest Tocantins, Dr. Tássio Pontes, a obesidade traz desafios específicos para a anestesia, principalmente relacionados à ventilação pulmonar e ao manejo das vias aéreas. “Muitos desses pacientes apresentam redução da capacidade respiratória e maior risco de queda de oxigenação durante a indução anestésica. Por isso, cada caso precisa ser avaliado de forma individualizada”, explica.
Além das doenças associadas, à anestesia em pacientes bariátricos envolve desafios técnicos relevantes, como a maior dificuldade de acesso venoso, uma ventilação mecânica mais complexa, ajustes precisos nas doses anestésicas e maior risco de trombose.
Nos últimos anos, os avanços da anestesiologia têm contribuído para aumentar a segurança das cirurgias bariátricas. Atualmente, os procedimentos contam com medicamentos de recuperação mais rápida, monitorização avançada da respiração e oxigenação, além de videolaringoscopia para casos de via aérea difícil.
“Hoje a cirurgia bariátrica é muito mais segura do que há alguns anos. O planejamento anestésico juntamente com os equipamentos adequados e a atuação de uma equipe experiente fazem diferença direta na segurança do procedimento”, afirma Tássio.
A cirurgia não depende apenas da técnica cirúrgica, existe todo um trabalho que começa pela preparação do próprio paciente. Manter o acompanhamento com os médicos, realizar os exames solicitados e seguir o jejum orientado são cuidados essenciais que fazem a diferença na conclusão da cirurgia.
