SAÚDE
Governo do Tocantins encerra 2ª Conferência Estadual de Saúde Mental com deliberações para etapa nacional
Após amplo debate, encerrou na quarta-feira, 30, a II Conferência Estadual de Saúde Mental, com deliberações do Tocantins, para a 5ª Conferência Nacional de Saúde Mental (CNSM), que será realizada em Brasília, no mês de novembro, deste ano. O Tocantins levará 13 propostas para aperfeiçoamento da Política Nacional de Saúde Mental e 40 delegados, representantes dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), trabalhadores e gestores da Saúde Pública.
Com a organização do Conselho Estadual de Saúde (CES-TO) e da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), a 2ª Conferência Estadual de Saúde Mental do Tocantins teve três etapas macrorregionais nos municípios de Araguaína, Gurupi e Palmas, com a participação de centenas de pessoas , finalizando com a Etapa Estadual. Todas as etapas tiveram o objetivo de elaborar propostas e eleger delegados, de forma paritária, para participarem da Etapa Nacional da 5ª Conferência Nacional de Saúde Mental (CNSM).
Para o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Mário Benício, “a riqueza de conhecimento adquirido nas etapas regionais, resultaram em propostas que poderão mudar para melhor os atendimentos na Rede de Atenção Psicossocial do Estado”, pontuou.
“As Conferências Municipais, Estaduais e Nacional de Saúde Mental contribuem para uma política de Estado de saúde mental, álcool e outras drogas e direciona as políticas de governos, são formas de revisar e atualizar as ações no campo de saúde mental e atenção psicossocial, álcool e outras drogas”, reforçou o secretário de Estado da Saúde, Afonso Piva.
A superintendente de Políticas de Atenção à Saúde, Juliana Veloso destacou que “a saúde mental entrou como pauta forte e necessária a ser debatida, especialmente nos últimos anos, por tudo que vivemos e ainda estamos enfrentando, seja no cenário da saúde, social ou econômico. É primordial que possamos garantir uma rede fortalecida, acessível, que prime pelo cuidado em liberdade territorial, por isso a importância da participação social na construção das propostas”.
Propostas do Tocantins
Eixo 1 – Cuidado em liberdade como garantia de Direito a cidadania; Fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial para ter garantido o atendimento quando necessário; Reivindicações de políticas/leis que garantam a não interrupção de ferramentas essenciais para o tratamento na sua integralidade; Garantir investimentos em programas Intersetoriais com foco em redução de danos, visando garantir moradia, tratamento e trabalho.
Eixo 2 – Gestão, financiamento, formação e participação social na garantia de serviços de saúde mental; Gestão, financiamento, formação e participação social na garantia de serviços de saúde mental; Implementação de Indicadores oferecidos na RAPS que garantem recursos/financiamentos por parte da União para custeio e estruturação levando em consideração aos componentes da RAPS; Implantar uma política de formação permanente sobre a temática de saúde mental aos profissionais da RAPS e incluir a Supervisão Clínico Institucional nos dispositivos da RAPS; Garantir financiamento para implantação e manutenção dos Centros de Convivência e Cultura e dispositivos de reabilitação psicossocial, como inclusão social através de geração de trabalho e renda.
Eixo 3 – Política de saúde mental e os princípios do SUS: Universalidade, Integralidade e Equidade; Garantir o aumento da quantidade de profissionais na Rede de Atenção Psicossocial (psicólogos, psiquiatras, nutricionista e demais profissionais), bem como a inclusão na equipe mínima da atenção básica, do psicólogo, assistentes sociais e fisioterapeutas, para garantir o acesso de qualidade adequada ao usuário em Saúde Mental. Garantindo o financiamento federal para essa finalidade; Fortalecimento da política de redução de danos por meio do desdobramento de ações e políticas de sensibilização junto a sociedade, contrapondo ao ideário da guerra às drogas e abstinência; Revisão e ampliação dos medicamentos disponíveis na rede com a inserção de novos medicamentos e revisão medicamentos antigos; Disponibilizar o atendimento Médico Psiquiátrico pelo menos a cada 2 meses no território indígena e pontos de saúde da zona rural, facilitando assim maior acesso ao serviço.
Eixo 4 – Impactos na saúde mental da população e os desafios para o cuidado psicossocial durante e pós-pandemia; Promover políticas públicas de prevenção ao adoecimento da população e dos trabalhadores na pré e pós-pandemia; Promover políticas públicas de inclusão ou reinclusão dos usuários da saúde mental no mercado de trabalho; Fortalecer a luta pela carreira no SUS como fronteira de disputa contra as privatizações neoliberais: diretrizes nacionais pactuadas com estados e municípios, com participação do Controle Social.
SAÚDE
Saúde busca novo modelo com mais integração e uso de dados
A ampliação da cooperação entre o SUS e a saúde privada foi o principal tema do 8º Fórum Brasil-Saúde, realizado durante a Hospitalar 2026, em São Paulo. A transformação digital ganhou destaque como ferramenta para aumentar eficiência e qualidade do cuidado, com ênfase em interoperabilidade, inteligência artificial e melhor uso de dados, ainda fragmentados nos sistemas.
“Precisamos transformar informação em conhecimento, conhecimento em estratégia e estratégia em impacto real para pacientes, profissionais, instituições e para a sustentabilidade do sistema de saúde”, afirmou Francisco Balestrin (na foto acima), presidente da Federação e do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (Fesaúde e SindHosp) que, junto com a CNSaúde, promoveram o evento.
Balestrin também chamou atenção para o peso político da saúde no debate público. Segundo ele, embora a área permaneça entre as principais preocupações da população brasileira, o tema frequentemente perde espaço na agenda política depois dos períodos eleitorais. O presidente da CNSaúde, Breno Monteiro, destacou a importância do Fórum como espaço de articulação institucional e de construção de soluções para os desafios enfrentados pelo setor.
Representando o Ministério da Saúde, Aline de Oliveira Costa apresentou iniciativas voltadas à ampliação da atenção especializada, telessaúde, interoperabilidade de dados e modernização hospitalar. Segundo ela, o governo aposta no uso da capacidade instalada da rede privada para reduzir filas e ampliar o atendimento, incluindo modelos regionalizados de contratação e uso de estruturas ociosas.
Os debates também evidenciaram a crescente pressão sobre hospitais, impulsionada pelo envelhecimento da população, pela alta de doenças crônicas e pela demanda reprimida da pandemia, reforçando a necessidade de reorganizar a rede assistencial.
No campo econômico, especialistas alertaram para sinais de esgotamento do modelo atual de financiamento da saúde. O consenso foi de que a sustentabilidade depende de ganhos de produtividade, redução de desperdícios, novos modelos de remuneração e maior integração entre os atores do setor.
O evento também discutiu a fragmentação de dados e o potencial da inteligência artificial para viabilizar uma assistência mais integrada, preditiva e personalizada. A diretora da ANS, Carla Soares, apontou desafios na saúde suplementar, como a necessidade de as operadoras assumirem papel mais ativo na coordenação do cuidado e melhorarem a experiência dos beneficiários.
Ela chamou atenção para dificuldades enfrentadas pelos próprios beneficiários na navegação entre consultas, exames, encaminhamentos e tratamentos dentro do sistema de saúde suplementar. O Fórum reforçou que a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro depende cada vez mais de integração, coordenação e cooperação entre público e privado. O evento reuniu representantes do governo federal, lideranças do setor e executivos.
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