RECONHECIMENTO
Prêmio MPTO de Jornalismo destaca impacto social da informação e valoriza profissionais da imprensa
A 8ª edição do Prêmio MPTO de Jornalismo, cuja cerimônia ocorreu na noite desta terça-feira, 5, em Palmas, apresentou um panorama da produção jornalística comprometida com a transformação social no Tocantins. Mais do que uma entrega de troféus, o evento consolidou uma iniciativa que, desde 2016, utiliza o alcance da imprensa para fortalecer a cidadania e dar visibilidade aos direitos fundamentais.
Durante a solenidade, a diretora de Comunicação do Ministério Público do Tocantins (MPTO), Kézia Reis, destacou o papel da imprensa como parceira essencial da instituição. Segundo ela, a união entre as duas forças permite que a informação atue como “luz que garante os direitos” defendidos pelo Ministério Público.
“Onde a imprensa denuncia, o MPTO pode agir. Onde o MPTO protege, a imprensa conscientiza. Somos pontes para a cidadania”, destacou Kézia Reis
Uma década de incentivo à imprensa
Desde a primeira edição, o prêmio soma 287 trabalhos inscritos e 106 produções premiadas. Ao todo, já foram destinados R$317 mil em premiações, sendo R$75 mil apenas nesta 8ª edição.
A cerimônia também foi marcada por um momento de reconhecimento institucional às jornalistas Alayla Milhomem e Denise Soares, que estiveram à frente da Diretoria de Comunicação nas últimas sete edições do prêmio.
As duas foram homenageadas com placas em reconhecimento à atuação decisiva na criação e consolidação da premiação, destacando sua contribuição para o fortalecimento da comunicação pública e valorização do jornalismo no Tocantins como forma de fortalecer a defesa dos direitos dos cidadãos.
A valorização profissional também foi destacada pela presidente do Sindicato dos Jornalistas do Tocantins, Alessandra Bacelar, que ressaltou a importância da premiação no cenário estadual.
“Quando o Ministério Público destina valores em premiação que superam o piso mensal da categoria, ele reforça, na prática, o valor do trabalho jornalístico. Isso fortalece a profissão e incentiva a produção de conteúdos de interesse público”, disse.
Reconhecimento que ecoa na prática
O levantamento das pautas revelou a atenção da imprensa tocantinense para áreas de maior vulnerabilidade social. Saúde pública e direitos humanos lideraram os temas, concentrando mais de 43% das inscrições. Um dos destaques de 2026 foi o Programa Família Acolhedora, tema que mobilizou diferentes linguagens jornalísticas e pautou produções vencedoras em diversas categorias.
A reportagem de Elaine Jardim, vencedora em webjornalismo, abordou os desafios da política pública no estado, enquanto. Segundo a jornalista, a pauta surgiu de forma inesperada, mas rapidamente se transformou em uma reportagem de forte impacto social.
“Eu me encantei pela pauta. Era algo que eu mesma não conhecia, e isso me fez pensar: quantas pessoas também não sabem disso? Foi aí que decidi aprofundar.”
Ela também ressaltou que a repercussão da reportagem já contribuiu para avanços na política pública. “Depois da matéria, o programa foi regulamentado em Palmas. Mas ainda precisa de mais visibilidade para que mais famílias participem”, disse.
Já a fotografia de Djavan da Costa, premiada com o primeiro lugar, simbolizou a rede de apoio construída pelo programa.
“Aquela imagem é sobre pessoas reais e histórias que precisam ser respeitadas. As mãos entrelaçadas mostram que esse trabalho é coletivo e envolve o Ministério Público, os profissionais e as famílias. É um retrato de cuidado e conexão.”
Na categoria radiojornalismo, a vencedora Jaqueline Moraes enfatizou a responsabilidade ética na abordagem de temas sensíveis, como a violência contra a mulher. Destacou o cuidado em não revitimizar. Para ela, o jornalismo tem papel essencial na orientação da sociedade.
“Mostrar essas histórias ajuda outras mulheres a entender que existem caminhos, que há uma rede de proteção. Isso pode encorajar denúncias e salvar vidas.”
Primeiro lugar no telejornalismo, Kaliton Mota, enfatizou o impacto da reportagem premiada que revelou o déficit de mais de 1,2 mil profissionais na Polícia Civil do Tocantins. Segundo ele, o trabalho nasceu a partir de um relatório técnico do Ministério Público e ganhou força ao traduzir dados em realidade concreta.
“Quando a gente viu o documento, percebeu que aquilo precisava ser mostrado. Não era só um número, era delegacia fechada, investigação parada e vítima sem atendimento. Quando a população entende isso na prática, a discussão muda.”
Rigor técnico e critérios de avaliação
Para garantir a isenção e a qualidade das produções premiadas, o certame adota um rigoroso processo de avaliação técnica. Os trabalhos inscritos foram analisados por uma Comissão Julgadora composta por 10 jornalistas com experiência em veículos ou assessorias e cinco integrantes do Ministério Público do Tocantins.
A credibilidade do prêmio é sustentada por um corpo de jurados com ampla experiência em redações e trajetória acadêmica consolidada, incluindo profissionais com passagens por veículos como O Popular, Diário da Manhã, CBN e Globo, além de especialistas com atuação em emissoras como TV Anhanguera, Record e SBT. Todos os profissionais são de outros Estados, garantindo isenção nas escolhas.
Conforme o regulamento, cada jurado atribuiu notas de 0 a 10 para seis critérios fundamentais: adequação ao tema, linguagem, estética, originalidade, utilidade social, expertise e credibilidade.
CIDADES
Juizado Especial determina retorno imediato de água para família vulnerável em Guaraí
Em decisão provisória, nesta segunda-feira (4/5), a juíza Rosa Maria Rodrigues Gazire Rossi, do Juizado Especial Cível de Guaraí, determinou que a concessionária de água e esgoto restabeleça o fornecimento de água para uma residência da cidade.
A magistrada concedeu uma medida urgente (liminar) ao identificar que o corte do serviço essencial atingia pessoas em situação de vulnerabilidade. Moradores da residência onde vive uma idosa de 78 anos, portadora de Alzheimer e demência, buscaram o Poder Judiciário com o relato da interrupção do abastecimento. O atendimento, sem advogado ou defensor público, ocorreu com a parte procurando o balcão virtual do juizado.
Na análise preliminar para atender ao pedido, a juíza destaca que a água é um “bem essencial para a vida” e, por ser um serviço indispensável, sua falta compromete a dignidade e a sobrevivência básica.
A juíza fundamenta esta posição no direito humano ao cuidado, conforme estabelecido pela Opinião Consultiva nº 31 da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), documento que representa um marco histórico ao reconhecer o cuidado como um direito humano autônomo.
Também são citados como fundamentos o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), norma que estabelece a prioridade absoluta na efetivação do direito à vida e à dignidade, e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A corte superior entende como ilegal o corte de serviços essenciais, como forma de buscar o pagamento de dívidas, “quando a suspensão atinge direitos fundamentais de pessoa vulnerável”.
Na sentença, a magistrada Rosa Maria explica que, em casos urgentes como este, é necessário apenas um convencimento inicial de que o direito existe e que há risco de dano grave caso a família precise esperar até o fim do processo. “O perigo de dano é evidente e grave. A manutenção do corte priva a idosa de condições mínimas de sobrevivência digna, agravando seu estado clínico e expondo-a a riscos de infecções e outras complicações decorrentes da falta de higiene adequada”, escreve a juíza na decisão, ao reconhecer o fornecimento de água como direito fundamental que não pode ser negado a quem se encontra em situação de dependência ou limitação.
Na decisão, a juíza estabelece o prazo máximo de 12h para que a concessionária de saneamento providencie o reabastecimento da unidade consumidora. Nas próximas fases do processo, haverá a tentativa de conciliação entre as partes em audiência a ser realizada pelo Centro Judiciário de Conflitos (Cejusc), de Guaraí, e a apresentação de provas adicionais, conforme determina a juíza.
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