Estado
Tocantins é lider em ações penais contra trabalho escravo
A Câmara Criminal do Ministério Público Federal listou as ações recebidas em 19 estados brasileiros.
Levantamento feito pela Câmara Criminal do MPF listou 72 ações penais no Brasil, em 2017, das quais 13 foram recebidas pela Justiça Federal no Tocantins
O Tocantins é o estado que teve a maior quantidade de denúncias de trabalho escravo recebidas pela Justiça Federal em 2017. Foram 13, das 72 ações penais instauradas por crimes de redução à condição análoga à de escravo. O levantamento feito pela Câmara Criminal do Ministério Público Federal (2ª CCR/MPF) listou as ações recebidas em 19 estados brasileiros (lista, anexo).
A procuradora Julia Rossi, da Procuradoria da República em Araguaína, considera que o fato do Tocantins ter a produção agropecuária como uma de suas principais atividades econômicas, contribui para incidência desse tipo de crime, e que a maior parte das situações denunciadas na região norte do Estado ocorreram em propriedades rurais. “O meio rural é um ambiente muito propício para a prática desse tipo de crime, porque dificulta a fiscalização, facilita a captação de trabalhadores e, muitas vezes, impede a fuga do trabalhador, em razão do isolamento de certos locais e da inexistência de vias de acesso e de meios de transportes”, observou.
A procuradora também disse que os empregadores se aproveitam da falta de conhecimento e da vulnerabilidade social e econômica a que muitos trabalhadores rurais estão expostos, para submetê-los a condições degradantes de trabalho. Dentre os casos em que o trabalhador vivia em condições degradantes à sua dignidade, ela relatou situações em que o alojamento era feito de barracos de lona, sem qualquer proteção contra intempéries, e os alimentos eram armazenados em embalagens de agrotóxicos.
Escravidão contemporânea – o conceito moderno de escravidão, para fins de aplicação do direito penal, é muito mais amplo do que o conceito tradicional, limitado à restrição forçada de liberdade. “A chamada ‘escravidão contemporânea’ abrange também, entre outras situações, a servidão por dívida, por exemplo, quando o trabalhador é obrigado a adquirir seus alimentos do empregador, e contrai dívidas as quais é incapaz de quitar, e a submissão a condições degradantes que atentem contra a dignidade do ser humano”, detalhou a procuradora Júlia Rossi.
Balanço – O levantamento da 2ª CCR também apurou que em 2017 foram iniciados 265 inquéritos policiais e autuados 283 procedimentos extrajudiciais. Além disso, o balanço destaca a participação de membros do MPF em 11 operações de resgate de trabalhadores no ano passado, realizadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel. O grupo, criado em junho de 1995, tornou-se referência internacional em matéria de enfrentamento ao trabalho escravo, sendo considerado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como a base de toda a estratégia de combate ao trabalho escravo. Já resgatou cerca de 50 mil trabalhadores. Além do MPF, fazem parte dele o Ministério do Trabalho, as Polícias Federal e Rodoviária Federal, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União.
Segundo a procuradora da República, Carolina Rosado, os números poderiam ser maiores. “Houve redução drástica das ações de fiscalização nos últimos anos, em razão do contingenciamento orçamentário realizada pelo Poder Executivo, o que dificulta um combate mais eficiente ao trabalho escravo. Embora nosso país tenha avançado muito nas estratégias e medidas de combate a tal crime, o ano de 2017 foi marcado por episódios de retrocesso, como a tentativa de limitar o conceito de trabalho escravo pela Portaria 1129/2017 do Ministério do Trabalho, já suspensa. Deve-se lembrar que o Brasil assumiu um compromisso internacional de eliminar todas as formas contemporâneas de escravidão, e há muito a ser feito em 2018 no tema”, ressaltou.
Estado
Governo do Tocantins lança campanha ‘Verão Protegido: Criança Não Trabalha, Brinca!’ para combater o trabalho infantil durante temporada de praias
O Governo do Tocantins lançou a campanha “Verão Protegido: Criança Não Trabalha, Brinca!” visando combater o trabalho infantil durante a temporada de praias de 2026 com ações de prevenção e proteção da infância em todo o estado.
Governo do Tocantins lança campanha para combater o trabalho infantil durante temporada de praias
A iniciativa “Verão Protegido: Criança Não Trabalha, Brinca!” foi lançada oficialmente pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) nesta sexta-feira, 29.
O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), realizou nesta sexta-feira, 29, o lançamento oficial da campanha estadual “Verão Protegido: Criança Não Trabalha, Brinca!”. O evento ocorreu na sede da pasta, em Palmas, e marcou o início de uma grande mobilização voltada à prevenção e à erradicação do trabalho infantil durante a Temporada de Praia de 2026 no Estado.
O principal objetivo da campanha é dar visibilidade à causa, promover o alinhamento técnico entre os órgãos e fortalecer, institucional e politicamente, as ações de proteção à infância e à adolescência. A iniciativa busca engajar municípios, equipes técnicas e a sociedade civil no enfrentamento ao trabalho infantil em todo o território tocantinense.

Atuação integrada
Durante a abertura oficial, a secretária da Setas, Cleizenir dos Santos, destacou que a atuação integrada entre Governo do Estado, parceiros e gestões municipais é a chave para o sucesso e a eficiência das ações preventivas. “Existe um zelo muito grande do Governo do Estado com a infância e a adolescência. Essa ação será um esforço conjunto de prevenção e proteção”, pontuou a gestora.
O superintendente de Administração do Sistema de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), Marcos Rodrigues, esteve presente no lançamento e reforçou a importância da prevenção quando o assunto são crianças e adolescentes. “Nossa secretaria também desenvolve uma ação chamada ‘Não Desvie o Olhar’, cujo principal objetivo é proteger esse público, combatendo crimes como violência, abuso e exploração sexual, trabalho infantil e negligência”, afirmou.

Quem também manifestou apoio à campanha foi a auditora fiscal do trabalho Márcia Coelho, que defendeu a importância de garantir os direitos das crianças e adolescentes. Segundo ela, o trabalho precoce compromete a saúde, o tempo dedicado à educação e à aprendizagem, além do desenvolvimento integral. “Enfrentar o trabalho infantil é algo complexo, que nenhuma secretaria é capaz de resolver sozinha. Mas, com esforços coletivos como este, conseguiremos ampliar a conscientização da sociedade e promover avanços”, explicou.
Eixos de atuação
A campanha está estruturada com base nos cinco eixos das Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Aepeti). Essas diretrizes orientam as frentes de informação e mobilização social, identificação de casos de vulnerabilidade, proteção social, defesa e responsabilização, além do monitoramento contínuo de todas as ações e dos resultados alcançados.

A aplicação prática dessas estratégias durante a temporada de praias foi detalhada pela gerente de Proteção Social Especial da Setas, Ruth Sampaio. Ela orientou gestores e equipes técnicas sobre a condução das atividades educativas, de fiscalização e de articulação da rede de proteção social.
Apoio aos municípios
Como parte do evento de lançamento, o Governo do Estado realizou a entrega simbólica dos kits oficiais da campanha aos prefeitos e secretários municipais de assistência social presentes. O material servirá de suporte para a implementação das ações locais previstas para a temporada de verão.

A prefeita de Itacajá, Aparecida Lima, agradeceu o apoio do Governo do Estado, que, segundo ela, contribuirá para garantir mais segurança às crianças e adolescentes do município. “Itacajá recebe grande movimentação de pessoas nesse período, devido ao tradicional Rally das Águas, às cavalgadas e à temporada de praia. Com essa ação, vamos conseguir atender esse público que merece toda a nossa atenção”, destacou.
A secretária municipal de Assistência Social de Tocantínia também ressaltou a importância da iniciativa. “Este é um ano de muitas festividades, como a copa e a temporada de praia. Por isso, considero essa iniciativa de grande valia. Vamos trabalhar juntos para ampliar a conscientização da sociedade sobre a proteção das nossas crianças e adolescentes”, afirmou.
Capacitação e presença nas praias
No período da tarde, as atividades concentraram-se no auditório da Assembleia Legislativa, onde técnicos e secretários municipais participaram de uma oficina técnica promovida pela equipe de Média Complexidade da Setas. O treinamento teve como objetivo aprofundar as estratégias e qualificar o atendimento nos municípios prioritários.
Nesta primeira etapa, foram contemplados os municípios de Palmas, Porto Nacional, Miracema, Lajeado, Caseara, Araguacema, Ponte Alta, Brejinho de Nazaré, Tocantínia, Peixe, Paranã, Aliança e Formoso do Araguaia. Outras 16 cidades receberão a capacitação ao longo do mês de junho, seguindo o cronograma da equipe técnica estadual.
Para garantir a efetividade da ação, durante todo o mês de julho, equipes itinerantes da Setas estarão presentes nas praias do Tocantins, reforçando o trabalho de fiscalização e conscientização, além de ampliar a visibilidade da campanha junto à população e aos turistas.
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