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Sangrento massacre prisional em Manaus deixa 60 mortos; violência e superlotação carcerária do Brasil são destaque na mídia internacional

Rebelião entre gangues dentro do Complexo Penitenciário de Manaus deixou 60 mortos. Corpos foram decapitados e jogados fora do muro da penitenciária.

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Neste domingo, 1º de janeiro (primeiro dia de 2017), uma rebelião entre facções dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, deixou 60 mortos e 12 agentes carcerários mantidos reféns. O secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, disse que foi “o maior massacre do sistema prisional do Estado”.

 

Atualmente, o Complexo Penitenciário abriga 1.224 detentos no regime fechado e a capacidade do mesmo é para 592 presos. Segundo informações da SSP do Amazonas, a rebelião começou na tarde deste domingo e terminou na madrugada desta segunda-feira, após mais de 17 horas. Um inquérito da Polícia Civil foi aberto para apurar o ocorrido.

 

De acordo com Fontes, os mortos são integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e presos condenados por estupro. O secretário afirmou ainda que a facção rival Família do Norte (FDN) comandou a rebelião, que “não havia sido planejada previamente”. “Esse foi mais um capítulo da guerra silenciosa e impiedosa do narcotráfico”, disse Fontes.

 

Vídeos mostram os episódios sangrentos, corpos sem a cabeça, braços ou pernas, totalmente decapitados empilhados e sendo jogados do muro da penitenciária. Além de mortes por armas de fogo, foram registrados ainda mortes por incêndio.

 

Dezenas de pessoas foram para a porta do presídio aguardar informações de parentes presos. Entretanto, a entrada de parentes e de jornalistas no local foi proibida. As famílias tiveram que comparecer direto na porta da sede do Instituto Médico Legal (IML), para ter mais informações ou identificar se algum parente estava entre os mortos.

 

Uma mulher conta que busca por informações do marido desde o início da tarde de domingo. “Eu estava lá no horário de visitas pela tarde, estávamos todos lá dentro quando ouvimos barulho de tiros, muitos tiros. Saímos de lá, mas não vi nada. Vim no IML pra saber alguma coisa. Ninguém fala nada”, contou.

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Um ex-policial morreu carbonizado em uma das celas. Os corpos das vítimas do massacre foram removidos para o Instituto Médico Legal (IML). No entanto, como o local só tem capacidade para 20 corpos, os 40 restantes serão comportados em um contêiner a ser alugado pela SSP-AM, onde ficarão até a necrópsia. “Queremos fazer isso o mais rápido possível, para liberar para os familiares”, disse Sérgio Fontes.

 

O juiz da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, visitou o Complexo Penitenciário, disse que em 20 anos de profissão, nunca viu algo parecido. ”Foi uma cena dantesca, de braços e pernas entulhados em contêiner, com corpos esquartejados, sem cabeça, cabeça jogada para um canto, coisa que eu nunca vi na minha vida. Eu sinceramente estou chocado. Ainda não me recuperei totalmente do que eu vi naquela penitenciária”, disse.

 

O juiz foi ao presídio a pedido da Secretaria de Segurança Pública. Quando chegou ao local, a polícia informou que as mortes já haviam ocorrido – a situação de crise no momento eram os funcionários do sistema penitenciário que ainda eram feitos reféns.

 

“A nossa preocupação era tirar os funcionários que estavam correndo risco de vida. Os presos que tinham morrido, que morreram na rebelião, a desgraça já tinha acontecido”, disse o juiz.

 

Ainda segundo Valois, os presos não sabiam que havia uma câmera filmando a movimentação – com as imagens, seria possível identificar quais foram os presos que cometeram os crimes. “Se a polícia quiser identificar cada um dos criminosos que cometeram aquela barbaridade, ou pelo menos que estavam comandando aquilo lá, é muito fácil de identificar porque tinha uma câmera 24 horas ligada”, afirmou o juiz. “Não precisa saber quem enfiou a faca, quem cortou a cabeça, precisa saber quem estava comandando aquilo.”

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Fugas também foram registradas e os números estão sendo apurados. As informações são da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

 

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

O jornal americano New York Times, diz que os motins em prisões no Brasil são comuns e tendem a se repetir à medida que o grupo paulista PPC estende seu alcance ao longo do país. Mas o episódio de Manaus, que inclui corpos decapitados sendo jogados, “está entre os mais sangrentos das décadas recentes”.

 

O jornal britânico Guardian, também mencionou os relatos sobre os corpos, e disse: “O sistema prisional brasileiro é precariamente superlotado e as condições em muitas instituições são horríveis”, conclui a publicação.

 

O espanhol El Mundo assinala que a violência nas prisões brasileiras é um problema endêmico e que uma das principais razões é a massificação das cadeias, com presos confinados sem os mínimos padrões de higiene e segurança.

 

O jornal francês Le Figaro publicou que a rebelião é resultado de uma briga entre gangues, que a violência “foi de uma grande selvageria” e que o Brasil é regularmente criticado pela comunidade internacional por sua política carcerária.

 

E o argentino La Nación também citou a superlotação do sistema penitenciário brasileiro e destacou a violência do motim em Manaus.

 

  

 

(Com informações do GloboNews, G1 e Secretaria de Segurança Pública do Amazonas)

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