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Investigação

Investigação da Chacina de Miracema aponta execução de inocentes, destruição de provas e uso da estrutura da PM, dizem Polícia Civil e Justiça

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Mais de quatro anos após a sequência de mortes que ficou conhecida como Chacina de Miracema, a Polícia Civil do Tocantins e o Poder Judiciário passaram a descrever o caso como uma ação articulada que teria envolvido execuções, destruição de provas, invasão de delegacia e uso da estrutura da Polícia Militar para ocultação dos crimes ocorridos em fevereiro de 2022.

A operação deflagrada nesta sexta-feira, 8, cumpriu 23 mandados de prisão preventiva contra policiais militares investigados pelos homicídios e por ações posteriores relacionadas ao caso. Entre os alvos estão oficiais de alta patente da corporação, incluindo um tenente-coronel que exercia função de ajudante de ordens do governador Wanderlei Barbosa, além de majores, capitão, tenentes, sargentos, cabos e soldados.

Durante coletiva de imprensa após a operação, a Polícia Civil afirmou que apenas uma das seis pessoas mortas após o assassinato do sargento Anamon Rodrigues de Sousa possuía relação direta com o crime contra o militar. Segundo a investigação conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), somente Valbiano Alves Marinho era apontado como suspeito pelos disparos que mataram o sargento na noite de 4 de fevereiro de 2022.

As demais vítimas — entre elas pai, irmão e três jovens abordados horas depois — não possuíam antecedentes criminais nem ligação identificada com o homicídio do policial militar, segundo os investigadores.

“Todas as demais vítimas não tinham antecedentes criminais e não possuíam ligação com o homicídio do sargento Anamon”, afirmou o delegado Afonso Lyra durante a coletiva.

A investigação descreve quatro episódios distintos ocorridos em menos de 48 horas. O primeiro deles foi a morte do sargento Anamon em uma área de mandiocal em Miracema. Horas depois, Valbiano foi morto em frente à própria residência. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que ele já estava rendido e sob custódia policial quando foi executado.

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Na madrugada seguinte, homens encapuzados invadiram a Delegacia da Polícia Civil de Miracema e executaram Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, pai e irmão de Valbiano, dentro da unidade policial.

“A delegacia é um ambiente em que o cidadão precisa se sentir seguro. A invasão representou uma ruptura momentânea do Estado de Direito”, afirmou o delegado da Dracco.

Ainda na mesma madrugada, três jovens — Aprígio Feitosa da Luz, Pedro Henrique de Sousa Rodrigues e Gabriel Alves Coelho — foram sequestrados após saírem de uma festa em um posto de combustíveis da cidade. Segundo a investigação, eles foram levados para diferentes pontos da cidade, agredidos e executados em uma área do loteamento Jardim Buriti. Um quarto jovem conseguiu sobreviver mesmo baleado e prestou depoimento ainda no hospital.

A Polícia Civil afirmou que os jovens não possuíam ligação com a morte do sargento nem com Valbiano.

Além das execuções, a decisão judicial que autorizou as prisões preventivas descreve uma série de ações posteriores que, segundo os magistrados, indicam tentativa de ocultação de provas.

Entre os elementos citados estão:

desaparecimento de HDs de câmeras de segurança;
simulação de furto dos equipamentos;
manipulação de sistemas de GPS de viaturas;
desligamento estratégico de celulares;
uso de veículos oficiais;
alinhamento de versões entre investigados.

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Segundo a decisão do colegiado da 1ª Vara Criminal de Miracema, há indícios de adulteração de registros de deslocamento de viaturas utilizadas durante as ações investigadas.

Os magistrados também afirmaram que o grupo investigado possuiria capacidade de interferir na produção de provas e intimidar testemunhas, fundamento utilizado para decretação das prisões preventivas e afastamento dos policiais das funções públicas.

Entre os presos está o tenente-coronel Douglas Luiz da Silva, então ajudante de ordens do governador. Segundo a investigação, o oficial teria permanecido em ponto considerado estratégico no loteamento Jardim Buriti durante a madrugada das execuções.

Os majores Wallas de Sousa Melo, Yurg Noleto Coelho e Wilquer Barbosa de Sousa também aparecem na decisão judicial como investigados por participação em diferentes etapas da operação descrita pela Polícia Civil, incluindo monitoramento, coordenação de equipes, movimentação de viaturas e suposta eliminação de provas.

O relatório final do inquérito foi encaminhado ao Ministério Público ainda em novembro de 2025. A denúncia criminal já foi apresentada à Justiça.

Durante a coletiva, o delegado-geral Claudemir Luiz Ferreira afirmou que a investigação não teve como alvo a instituição Polícia Militar, mas policiais suspeitos de participação individual nos crimes.

“Não investigamos a instituição Polícia Militar. Investigamos fatos praticados por pessoas”, declarou.

Em nota, a Polícia Militar informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da corporação e declarou que não compactua com desvios de conduta praticados por integrantes da instituição.

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GERAL

Fiscalização De Olho do TCE identifica 22 irregularidades em hospital de Miranorte

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O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCETO), por meio da Primeira Relatoria, determinou a intimação preliminar do prefeito de Miranorte, Leandro Mota Barbosa Teles, e do gestor do Fundo Municipal de Saúde, Francisco Gaspar Souza da Cruz, para que apresentem, no prazo de 15 dias úteis, um plano de ação com medidas que serão adotadas, os responsáveis por cada ação e os prazos para corrigir as falhas encontradas no Hospital Municipal de Pequeno Porte de Miranorte.

A medida consta no Despacho nº 309/2026, referente ao Procedimento Apuratório Preliminar nº 1878/2026, instaurado após vistoria in loco realizada pela Coordenadoria de Auditorias Especiais (COAES), nos dias 12 e 13 de abril, dentro do projeto TCE de Olho. A fiscalização avaliou pontos como disponibilidade de profissionais de saúde, medicamentos, exames, ambulâncias, leitos, cirurgias eletivas e qualidade do atendimento prestado à população.

Entre os achados mais graves está a existência de equipamentos adquiridos há 10 anos e que permanecem sem funcionamento. A equipe técnica apontou que uma autoclave, um gerador de energia elétrica e um aparelho de raio-X, todos adquiridos em 2016, seguem inoperantes. Também foi identificada uma lavadora/secadora de grande porte, adquirida em 2024, sem uso.

No caso do raio-X, o despacho destaca que a população de Miranorte permanece privada da ampliação da capacidade diagnóstica da unidade, sendo necessário o deslocamento de pacientes para o município de Miracema, inclusive para exames de baixa complexidade. Segundo a análise, essa situação pode atrasar diagnósticos, agravar quadros clínicos e sobrecarregar a rede regional de saúde.

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A fiscalização também apontou que a autoclave parada compromete o processamento adequado de materiais, aumentando riscos relacionados à segurança dos pacientes. Já o gerador sem funcionamento pode prejudicar a operação de equipamentos estratégicos em casos de interrupção de energia. Outro ponto destacado foi a secagem de enxovais hospitalares em varais a céu aberto, apesar da existência de uma lavadora/secadora de grande porte na unidade.

Lista de achados

Ao todo, a equipe técnica listou 22 achados, incluindo necessidade de conclusão da reforma do centro cirúrgico, inexistência de canais de comunicação para sugestões e reclamações, precariedade no controle de estoque de medicamentos, falta de transparência sobre a disponibilidade de remédios, necessidade de atualização de protocolos clínicos, problemas em ambulâncias, ausência de vistoria do Detran nos veículos, necessidade de reforma na estrutura predial, ausência de alvará atualizado do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária, além de atualização do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

O Despacho de nº.309/2026 da lavra do conselheiro substituto Leondiniz Gomes, em substituição ao titular da 1ª Relatoria, também determinou o envio de cópia da análise preliminar e do mencionado despacho ao Ministério Público Estadual do Tocantins (MPTO), para conhecimento e providências que entender pertinentes no âmbito de sua esfera de atuação, quanto aos apontamentos relacionados ao desuso prolongado dos equipamentos permanentes adquiridos para a unidade de saúde (Autoclave, Gerador de energia elétrica, Lavadora/secadora de grande porte e Aparelho de Raio-X).

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Outro ponto que será tratado em procedimento específico e sob a responsabilidade do Corpo Especial de Auditores do Tribunal de Contas, em observância ao parágrafo único, do artigo 9, da Instrução Normativa de nº. 5/2002, foi a constatação de sobrecarga dos profissionais de saúde. Segundo o documento, o hospital realiza, em média, mais de 100 atendimentos diários, contando com apenas um médico de plantão, situação que pode comprometer a qualidade dos diagnósticos e dos tratamentos ofertados aos pacientes.

Boas práticas

Apesar das falhas, a vistoria também registrou boas práticas na unidade, como o uso de ponto eletrônico para controle da frequência dos médicos, identificação dos pacientes nos leitos, sistema de triagem com classificação por cores e atuação de farmacêuticos durante todo o período de funcionamento da farmácia.

Após o recebimento do plano de ação, a COAES deverá analisar as informações e documentos apresentados. O despacho também autoriza, caso a equipe técnica entenda necessário, uma nova visita ao Hospital Municipal de Pequeno Porte de Miranorte para verificar se as medidas corretivas foram implementadas.

O inteiro teor do Despacho nº.309/2026 pode ser conferido no anexo.

 

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