PALMAS 33 ANOS
Educação transcende os muros escolares e impacta positivamente a comunidade
O diretor da Rádio Quati, Gilvan Almeida de Araújo, que também é pedagogo, explica que a rádio web é uma forma de contato da escola com os pais, que acompanham a programação da escola. Além de levar informações importantes para comunidade, como campanha de vacinação, funcionamento do posto de saúde, realização de reuniões etc. “Também são realizados os programas temáticos, onde professores, membros da comunidade e alunos participam com conteúdo diverso, desde informações sobre uso de ervas e temperos, campanhas de preservação do meio ambiente, Dia da Consciência Negra; enfim, é uma ponte entre a família, a comunidade e a escola”, detalha.
“Foi muito bom estar em casa e ouvir minha filha na rádio falando sobre a importância das ervas e temperos na culinária, os benefícios para a nossa saúde. Aprendi sobre o uso do urucum como remédio e a plantar alecrim”, conta, emocionada, Maria Aline Putêncio Reis, mãe da Pâmela, que tem 7 anos e cursa o 3º ano do ensino fundamental. Ela lembra que estava grávida e já sonhava com a ETI Fidêncio Bogo, uma escola grandiosa para atender a comunidade no futuro. Pâmela participou da programação da Rádio Quati para dividir o que aprendeu no projeto Mais Agroecologia e no Caderno do Campo, sobre o uso das ervas e temperos e como faz o seu cultivo.
A professora aposentada Nazarethe Sapondi relata que a Rádio Quati vai além do debate da agroecologia e da sustentabilidade, fala também sobre o bem-estar emocional das crianças e dos adultos. “Através da rádio é feito um trabalho de capelania, com mensagens motivacionais, palavras de acolhimento e debates sobre assuntos difíceis, mas muito necessários, como ansiedade e depressão”, conta Nazarethe, que vive na comunidade há 12 anos e considera o trabalho da ETI Fidêncio Bogo como um propulsor para a construção de um futuro melhor.
Integração
Unindo as disciplinas de português, matemática, história, geografia e ciências, o ‘Caderno do Campo’ trabalha diversos assuntos relacionados à agricultura, sendo que cada ano escolar trabalha um tema específico, tais como: ‘agricultura e sua história’, ‘agricultura e conflitos sociais’, ‘agricultura e as comidas típicas’ ou ‘agricultura e ervas medicinais’. Cada aluno vai trabalhando o seu caderno ao longo do ano, em casa, com algumas atividades a serem desenvolvidas com os pais. “O nosso objetivo é fazer um debate profundo da agricultura de forma transdisciplinar e a importância da produção de alimentos realmente saudáveis”, pontua o professor e geógrafo Cirineu da Rocha, que acompanha os estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.
Responsável pelos alunos da primeira fase do ensino fundamental – 1º ao 5º ano -, Edivan Araújo Batista, agrônomo e pedagogo, explica que na ETI Fidêncio Bogo é feito o debate da produção agroecológica e da sustentabilidade, e também é vivenciada a prática, onde os alunos e seus familiares participam do plantio da horta, criação de peixes, galinhas e codornas e produção de mel com abelhas sem ferrão. “É uma formação mais completa e que transforma a vida do estudante e da comunidade. No momento, estamos tendo aulas na cozinha experimental com um dos pais dos estudantes sobre produção de salgados e pizzas. É a teoria que leva à prática”, diz.
José Fialho Miranda, conhecido Zé Japão, pai e avó de alunos na ETI Fidêncio, dá aula de esportes aos alunos. “Corro maratona, corridas de 21 km, 15 km e 10 km há 36 anos e fui convidado pela escola para dar uma oficina aos alunos com técnicas para corrida. Um dos alunos é o meu neto e é muito prazeroso estar com eles e ajudá-los. Eles estão mais obedientes e entrando no ritmo da corrida, melhorando com o treino”, detalha.
Dados da educação
A Prefeitura de Palmas conta com 78 unidades educacionais, sendo: 33 centros municipais de Educação Infantil (Cmeis) e 45 escolas, das quais 19 unidades educacionais – escolas e creches – são de tempo integral. No total, são mais de 2,6 mil professores para atender mais de 43 mil alunos.
PALMAS
Apagões em Palmas chegam ao Ministério Público após afetarem escolas e feiras; Energisa é investigada
As sucessivas quedas de energia registradas em Palmas nos últimos dois meses levaram o Ministério Público do Tocantins a abrir uma investigação para apurar a qualidade do serviço prestado pela Energisa Tocantins. A portaria de instauração do inquérito civil público foi publicada nesta quinta-feira (28) e aponta indícios de falhas que teriam afetado consumidores, escolas públicas e atividades econômicas da capital.
Na investigação, o promotor Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira afirma que foram registradas reclamações recorrentes sobre interrupções e oscilações no fornecimento de energia elétrica em diferentes regiões da cidade. O documento menciona paralisação de atividades em feiras cobertas, suspensão de aulas em unidades das redes municipal e estadual de ensino e prejuízos causados por danos a equipamentos eletrodomésticos.
O Ministério Público também cita possíveis falhas na manutenção preventiva e corretiva da rede de distribuição. Segundo a portaria, há indícios de que indicadores de continuidade do serviço, medidos pelos índices de duração e frequência das interrupções de energia, possam ter ultrapassado os limites estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A investigação vai apurar ainda a demora no restabelecimento do fornecimento após interrupções, a lentidão para ligação de novas unidades consumidoras, a eficiência dos canais de atendimento da concessionária e os procedimentos adotados para ressarcimento de consumidores que tiveram aparelhos danificados por oscilações na rede elétrica.
Como primeiras medidas, o Ministério Público determinou o envio de ofícios à Energisa, à Aneel, aos órgãos de defesa do consumidor e às secretarias municipal e estadual de Educação. A concessionária terá prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos sobre as causas das interrupções registradas nos últimos dois meses, além de encaminhar relatórios técnicos sobre os indicadores de qualidade do serviço em Palmas.
A Aneel e a agência reguladora responsável pela fiscalização do setor no Estado deverão informar se existem procedimentos de fiscalização ou autuações relacionados à qualidade do fornecimento de energia na capital. Já os Procons municipal e estadual foram acionados para encaminhar dados sobre reclamações envolvendo oscilações de energia, queima de equipamentos, demora no restabelecimento do serviço e atendimento aos consumidores.
O Ministério Público também requisitou informações às redes municipal e estadual de ensino e à associação dos feirantes das feiras cobertas para levantar os prejuízos registrados durante os episódios de interrupção do fornecimento.
O inquérito civil busca verificar se houve violação aos direitos dos consumidores e eventual descumprimento das normas que regulam a prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica.
Em nota, a Energisa reforçou que atua em conformidade com as normas e diretrizes do setor elétrico, sob regulação e fiscalização permanente da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
A concessionária afirmou ainda que mantém compromisso com a transparência, a responsabilidade e a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados à população de Palmas, colaborando de forma técnica e institucional com os órgãos competentes sempre que necessário.
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