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Equilíbrio distante

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Confesso que manter uma posição equilibrada está ficando cada vez mais cansativo nessa Civilização de Lacração e Cancelamentos que vivemos hoje. A virtude da Equanimidade está cada vez mais fora de moda.

Quando fiz a minha formação em Psiquiatria, nos anos noventa do século passado (rsrsr), já havia uma pressão clara para escolher entre um lado do prédio, o da Psiquiatria Biológica, ou o outro lado, da Psicoterapia. Neste século eu diria que um lado engoliu o outro, sobrou apenas a Psiquiatria baseada em tratamentos medicamentosos e intervenções biológicas. Freud e Jung nem são mencionados em Congressos ou aulas que se prezem. Pois eu, já naquela época, me recusei a tomar um lado e desprezar o outro, e montei dentro de mim uma Psiquiatria Compreensiva, isto é, uma Psiquiatria que compreenda as origens biológicas e psíquicas do sofrimento humano. Isto garantiu para mim uma espécie de exílio informal na vida acadêmica: para os Psicoterapeutas, eu era clínico demais, e vice versa para os clínicos. Paciência. Vejo todos os dias pacientes se beneficiando dessa abordagem integrativa. A Equanimidade entre as áreas possibilita benefícios conjugados dessas correntes de saber. Mas também torna esse trabalho um alvo fácil de diversos movimentos de Lacração.

Há alguns anos atrás, uma cliente querida, que escrevia para um jornal de grande circulação, entrou na sala muito decepcionada com um psicanalista, renomado e querido, e que escrevia para o mesmo jornal. Ele publicou um estudo que desancava com todos os tratamentos para a Depressão, dizendo que em nada diferiam do uso de Placebo. Resumindo, você tomar um antidepressivo ou uma pílula de farinha teria o mesmo resultado na Depressão Leve ou Moderada. Ela tinha passado recentemente por um quadro depressivo leve para moderado, e tinha experimentado uma ótima resposta, com melhora marcada com os medicamentos que foram prescritos, que não eram feitos com farinha de rosca. Achou a opinião do psicanalista tendenciosa, ou, pior, não baseada na vivência em primeira pessoa de uma medicação bem indicada e seus resultados, graduais, mas consistentes.

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Nas últimas semanas, os clientes começaram a reclamar de outro ataque, vindo do outro lado da barricada: o livro de uma cientista pop, intitulado: “Que Bobagem! Pseudociências e outros absurdos que não merecem ser levados a sério”. Os pacientes reclamaram dos ataques dos autores à Psicanálise, mas os capítulos do livro listam outros ramos do conhecimento humano como “bobagens pseudocientíficas”: A Medicina Tradicional Chinesa, a Psicanálise, a Astrologia, a Homeopatia, as Terapias Energéticas e tudo o mais que não puder ser examinado segundo o sacrossanto Método Científico, segundo os autores, a única forma de apreensão correta da realidade factual.

A minha Dissertação de Mestrado tinha uma boa introdução sobre Filosofia da Ciência, para tentar demarcar as diferentes formas de conhecimento e compreensão dos fenômenos. Como os autores, acredito na coleta de dados e nas evidências para avaliar se algo funciona ou mesmo existe. Isso vale para tratamentos medicamentosos e psicoterapias, sobretudo quando falham ou trazem resultados ruins.

A cientista iconoclasta fez um excelente trabalho durante a Pandemia, levantando a voz contra a maré infernal de desinformação levantada contra Distância Social, Vacinação e uso de Máscaras. Deve ter se exposto a todo tipo de ataque e de estupidez das pessoas que não praticavam pseudociências, praticavam manipulação e amedrontamento em massa. Seremos sempre gratos a seu trabalho. Mas, como diria Jung, “Tu acabas se tornando aquilo que combates”. Mudar o lado da lacração não a torna menos lacradora. Atacar outros ramos do conhecimento e da experiência humana como bobagens pseudocientíficas, numa campanha jihadista pela Ciência, além da fabulosa estupidez de parear formas tão distintas de apreensão da realidade e colocar tudo isso no mesmo balaio, é uma doença prevista pelos psicanalistas: a inflação do Ego, o que acaba excluindo o Outro, assumindo um ar meio santarrão de “dono da única verdade”; o resto é bobagem ou ilusão. Sabemos onde isso termina. Mas tudo bem, isso também deve ser bobagem pseudocientífica.

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Nosso saber está caminhando cada vez mais para o transdisciplinar. E, como diria minha avó: respeito é bom, e eu gosto. Essa deve ser uma característica e exercício de cientistas e terapeutas: o respeito pelo o que eu não conheço suficientemente para poder opinar.

Marco Antonio Spinelli é médico, com mestrado em psiquiatria pela Universidade São Paulo, psicoterapeuta de orientação younguiano e autor do livro “Stress o coelho de Alice tem sempre muita pressa”

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Dois meses na Mineratins: cacoxenita, segurança jurídica e transparência

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Em dois meses sob nova direção, a Companhia de Mineração do Tocantins (Mineratins) protagonizou uma remodelagem institucional. O balanço do período revelou uma gestão focada na reestruturação interna, na qualificação técnica e, sobretudo, na consolidação de um ambiente de negócios propício à atração de investimentos nacionais e internacionais, alicerçado na segurança jurídica e na transparência absoluta.
A base fundamental destes 60 dias foi o saneamento administrativo, o popular “arrumar a casa”. A aprovação do novo Regimento Interno e do Código de Ética representou um marco em termos de compliance e governança corporativa. Medidas de austeridade rigorosa foram implementadas, como a instituição de relatórios gerenciais periódicos e a extinção dos cartões de abastecimento do tipo “coringa”, estancando desperdícios e ampliando o controle administrativo.
Estas ferramentas normativas transcenderam a burocracia; elas enviaram um sinal inequívoco ao mercado de que a Companhia operava sob estritos padrões de integridade, requisito indispensável para grandes players globais que buscam parceiros confiáveis na esfera pública.
“O ponto alto da gestão, contudo, foi a medida estratégica projetada para revolucionar a exploração mineral no Tocantins: a organização procedimental interna e o envio para a Casa Civil de um Chamamento Público inédito”.
Este instrumento, estritamente alinhado à Lei das Estatais e às normativas internas, teve o objetivo de franquear à iniciativa privada a parceria direta com a Mineratins. O escopo era desbloquear o potencial geológico tocantinense, convertendo títulos minerários inertes em canteiros de obras e vetores de riqueza.
Fica o legado e o alerta: a continuidade deste Chamamento Público garantirá um caminho seguro e ético, permitindo que o Estado conheça, enfim, o real interesse do mercado no potencial minerário do Tocantins.
Para garantir que este desenvolvimento ocorresse sob bases científicas, a presidência articulou reuniões estratégicas com a Presidência do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), visando o incremento substancial da pesquisa geofísica no território. O mapeamento de precisão foi tratado como passo primaz para mitigar riscos e descobrir novas jazidas. O foco daqueles dois meses residiu em estabelecer parcerias que comprovassem o potencial mineral do estado, consolidando a certeza geológica como ativo fundamental para a atração de capital.
A ofensiva comercial foi igualmente intensa, com rodadas de negócios envolvendo grupos econômicos do Brasil e do exterior. O portfólio de interesses mostrou-se vasto, abrangendo desde minério de ferro, cobre e calcário, até rochas ornamentais e minerais estratégicos como a cacoxenita. A diversidade da demanda evidenciou que o subsolo tocantinense possuía vocação tanto para a indústria de base quanto para nichos de alta tecnologia. Independentemente do cenário futuro, a gestão assegurou que todo o acervo pesquisado fosse catalogado, documentando, sem hipérboles, o verdadeiro “mapa da mina” do estado.
“Em sintonia com as ações de bastidores, a gestão empreendeu uma vigorosa estratégia de comunicação. A busca pela visibilidade institucional se deu através de presença constante na imprensa especializada e na mídia em geral. Ao ocupar esses espaços, a Mineratins não apenas prestou contas, mas funcionou como uma vitrine ativa, alertando o mercado nacional sobre a disponibilidade de ativos minerais prontos para receber aportes no Tocantins”.
A qualificação técnica também foi prioridade. A participação da presidência no curso de Direito Minerário em Minas Gerais — referência histórica no setor — demonstrou o zelo em alinhar as práticas da estatal com a vanguarda regulatória, garantindo solidez aos contratos futuros. Ademais, a responsabilidade social ganhou destaque com a participação no encontro anual do Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançadas do Terceiro Setor (NEPATS), em Brasília. A Mineratins posicionou-se na fronteira do debate acadêmico, reafirmando que o desenvolvimento econômico é indissociável do bem-estar social.
Mirando a inovação, foi gestado, em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT), sem nenhum custo operacional, um ambicioso projeto de multilaboratórios de pesquisa mineral. A iniciativa, que contou com apoio do Ministério de Minas e Energia e foi apresentada à Finep, demonstrou potencial para captar financiamentos superiores a R$ 400 milhões.
Este projeto de multilaboratórios com a UFT, pode ser atingido como um projeto estratégico para toda a Região Norte do Brasil, ou pela via dos editais setoriais públicos. Essa estrutura foi desenhada para posicionar o Tocantins na liderança da pesquisa sobre terras raras e desenvolvimento minerário sustentável.
Ao conectar a academia, a regulação estatal, a mídia e o capital privado, a Mineratins deixou de ser apenas uma detentora de direitos para se tornar uma agência de fomento de negócios complexos. O legado daqueles dois meses foi uma companhia mais leve, ágil e visível. A preparação do terreno foi concluída com êxito; com a casa em ordem e sob os holofotes do mercado, iniciava-se ali a fase de consolidação dos investimentos.
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