Eleições 2026
MDB de Alexandre Guimarães observa disputa ao governo e enfrenta cenário fechado para o Senado na base governista
O deputado federal Alexandre Guimarães (MDB), presidente estadual da sigla, mantém a pré-candidatura ao Senado após o recuo do irmão, Raul Guimarães, que havia sido cogitado para disputar outro cargo na mesma eleição. A movimentação previa preservar espaço político caso o projeto ao Senado não avançasse, mas a retirada alterou o desenho inicial.
O cenário se torna mais complexo diante do avanço das articulações ao governo. O deputado federal Vicentinho Júnior e o vice-governador Laurez Moreira, ambos pré-candidatos ao Palácio Araguaia, buscam estruturar chapas majoritárias e consolidar alianças.
No campo mais próximo ao governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), os movimentos também avançam. O presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), afirma ter aval do governador para participar das discussões sobre a sucessão e se coloca como pré-candidato ao governo.
A base ainda reúne a senadora Dorinha Seabra (União Brasil), também pré-candidata ao governo. No mesmo grupo, o deputado federal Carlos Gaguim deve disputar o Senado, enquanto o senador Eduardo Gomes trabalha pela reeleição.
Com dois partidos do mesmo campo político apresentando nomes competitivos ao Senado, a possibilidade de a vaga ficar com o MDB torna-se mais restrita. Na avaliação de interlocutores, as principais posições da majoritária já contam com pré-definições dentro do bloco que reúne Republicanos, União Brasil PL e aliados.
Mesmo à frente do MDB no estado, Alexandre Guimarães ainda não indicou qual caminho adotará na formação das alianças. Nos últimos dias, manteve agendas em municípios do Tocantins, mas sem vinculação pública a um dos projetos ao governo já colocados.
ELEIÇÕES 2026
Com histórico de afastamento do governo e prisão, Carlesse reage a críticas de Vicentinho Júnior
Ex-governador afirma que deputado tenta transformar debate político em “espetáculo de acusações”; trajetória de Carlesse inclui afastamento determinado pelo STJ em 2021, renúncia ao mandato em meio a processo de impeachment e prisão em investigação do MPTO em 2024
O ex-governador do Tocantins e pré-candidato ao Senado, Mauro Carlesse (PSD) divulgou nota pública em resposta às declarações do deputado federal e pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior (PSDB). No texto, Carlesse acusa o parlamentar de tentar transformar o debate político em um “espetáculo de acusações, ataques pessoais e versões convenientes dos fatos”.
A reação ocorre após Vicentinho voltar a citar episódios que marcaram a passagem de Carlesse pelo comando do Estado. Em sua nota, o ex-governador afirma que o deputado mencionou seu nome diversas vezes sem apresentar “uma única prova nova” e sustenta que a população espera propostas para áreas como saúde, segurança, educação e geração de empregos.
“Causa espanto ver o deputado Vicentinho Júnior tentar transformar uma entrevista em um espetáculo de acusações, ataques pessoais e versões convenientes dos fatos”, escreveu Carlesse.
O ex-governador também afirmou que o parlamentar tenta desviar o foco dos temas considerados prioritários para o Estado. “O Tocantins merece um debate sério. Quem deseja governar o Estado precisa apresentar soluções para a saúde, a segurança, a educação e a geração de empregos”, acrescentou.
A manifestação recoloca no centro da discussão fatos que marcaram a trajetória recente de Carlesse na política tocantinense.
Em outubro de 2021, o então governador foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) durante investigação da Polícia Federal que apurava suspeitas de irregularidades envolvendo o Plansaúde e possível interferência em investigações. O afastamento foi posteriormente confirmado pela Corte Especial do tribunal.
Durante o período em que permaneceu fora do cargo, a Assembleia Legislativa instaurou processo de impeachment contra o governador. Antes da votação final do procedimento, Carlesse renunciou ao mandato em março de 2022.
Já em dezembro de 2024, o ex-governador foi preso em operação conduzida pelo Ministério Público do Tocantins. A investigação apurava suspeitas de que ele estaria articulando meios para deixar o país enquanto respondia a procedimentos judiciais. À época, a defesa contestou as acusações e afirmou que ele permanecia à disposição das autoridades.
Na nota divulgada nesta semana, Carlesse não rebate diretamente os fatos citados por Vicentinho. O foco da manifestação está na crítica ao tom adotado pelo deputado e na defesa de que a discussão eleitoral seja concentrada em propostas para o Tocantins.
“Não tenho tempo para alimentar conflitos nem para participar de disputas baseadas em ataques pessoais”, afirmou.
O embate ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026. Vicentinho Júnior trabalha sua pré-candidatura ao Palácio Araguaia pelo PSDB, enquanto Carlesse busca construir uma candidatura ao Senado dentro do grupo político ligado ao PSD. Mesmo em campos distintos da disputa, a troca de declarações mostra que os episódios envolvendo a passagem de Carlesse pelo governo continuam presentes no debate político estadual.
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